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Casal que deu a volta no mundo conta ao blog como foi; Renan e Michele se preparam para retomar viagem

agosto 9th, 2020 · Sem comentários

Durante quase cinco anos, Renan e Michele conheceram 34 países. Acompanhados do macaquinho de pelúcia Mucuvinha, entraram na estrada em 29 de setembro de 2015. A viagem foi abreviada há algumas semanas, com a pandemia. Nesta entrevista (publicada em junho pelo jornal Folha de Varginha) Michele e Renan dizem que pretendem retomar a aventura –assim que a situação se restabelecer e eles renovarem seus documentos.


A ideia de pegar a estrada começou quando Renan Greinert fez um mochilão pelo Peru e Bolívia durante as férias. Conheceu pessoas que estavam há meses e até anos na estrada. Voltou ao Brasil decidido a fazer o mesmo.


De volta, arrumou um emprego em São Paulo e prorrogava o sonho. Aí conheceu Michele Martins. Começaram a namorar e a compartilhar o sonho da volta ao mundo. “Eu falei para ela juntar dinheiro, pois tinha essa ideia de viajar por alguns meses. Neste tempo, fomos vendo alguns filmes e lendo vários livros de pessoas que viajaram o mundo inteiro. Nosso sonho foi aumentando de tamanho. Até que, em 2015, uma combinação de fatores foi decisiva para largarmos tudo: no exato dia em que a Michele cumpria seu último dia de aviso prévio (pediu demissão porque a empresa onde trabalhava mudaria de endereço), eu fui demitido da empresa onde trabalhava há alguns anos e recebi uma boa grana no acerto.


Além disso, nessa mesma época ganhamos uma graninha de indenização de uma empresa aérea que havia perdido nossa bagagem numas férias anteriores. Neste ponto tínhamos tudo a nosso favor: algum dinheiro guardado e estávamos sem emprego. Se não fosse naquele momento, não seria nunca. Aí começamos a vender tudo o que tínhamos, acertar as papeladas, tirar passaporte e vistos e, em 4 meses, já estávamos na estrada, sem prazo para voltar!”.


A viagem começou pela América do Sul. No início, apenas com o dinheiro que economizaram. A meta era gastar 10 dólares por pessoa, por dia. “Na Argentina e no Chile foi tranquilo, mas dali pra cima estava difícil. O grande problema é o preço das entradas nos lugares que a gente queria queremos conhecer”, diz Renan.


Nos países seguintes, a dupla estava sempre no vermelho. Aí começaram a vender fotos e a fazer vídeos para o Youtube. Também escreveram dois livros: “Rumo ao Fim do Mundo” e “Mochilando por Terras incas”, da série “A Viagem de Mucuvinha”, em que o macaquinho de pelúcia narra os passeios (R$ 9,90 o e-book, na Amazon; o livro impresso, R$ 43,00, na Editora Clube de Autores).


Além disso, acampam quando possível, evitam viajar de avião, pedem carona (quando percebem que é seguro). Também usaram couchsurfing (ficar na casa de um morador, de graça, em troca da experiência cultural). “No Peru já começamos a ser cara-de-pau: mandávamos e-mails para hotéis contando sobre nosso sonho. Surpreendentemente, vários deles foram solidários e nos deram hospedagem gratuita!”.


A viagem pelas Américas terminou nos Estados Unidos (ficaram um dia, durante uma escala de 10 horas no voo para as Filipinas). “Chegamos até a pensar em ficar só no aeroporto para economizar, mas acabamos sacrificando um pouco nosso orçamento e alugamos um carro. Afinal, quando é que teríamos outra oportunidade de caminhar pela calçada da fama e visitar o famoso letreiro de Hollywood?”. Visitaram ainda a Rodeo Drive (avenida onde ficam lojas de grife em Los Angeles), casas de famosos e a roda-gigante de Santa Monica.


Dos EUA, atravessaram o Oceano Pacífico (“por trás do planeta”) e chegaram ao outro lado do mundo.

De trem pela China


“No sudeste asiático, lugar que tem fama de ser barato, tivemos uma média de gastos superior ao da América Latina em geral. Isso porque muitos países exigem vistos (caros) e também porque cobram entrada para quase tudo. Também notamos que a barreira do idioma acaba influenciando para os preços subirem, já que temos dificuldades para negociar e para pegar informações sobre transportes públicos e coisas do tipo.”, conta Renan.

#elenao. No Vietnã, um casal de turistas franceses perguntou a origem de Renan e Michele. Quando responderam, os turistas fizeram comentários negativos, sem ser grossos. “É triste ver os outros falarem mal do nosso país por problemas como pobreza e corrupção. E agora pelas ações do presidente “.

A dupla esteve na Coreia do Norte (onde, olha só), tiveram toda a liberdade para tirar fotos e passear). E também Uzbequistão, Quirguistão, Mongólia, o Deserto de Gobi e a região de Xinjiang, onde os muçulmanos da China vivem (e são milimetricamente monitorados pelo governo).
O leitor pode estar se perguntando: mas o que difere esse casal dos trocentos youtubers que fazem o mesmo?

Renan e Michele não são frescos. Não tiram fotos com roupa de grife ou cosméticos para pagar a viagem. Aliás, nada contra quem faz isso. Mas também mostre o país, a cultura dos moradores etc. É justamente o que eles fazem de melhor: procuram conhecer os moradores, sua cultura, religião, comportamento, a história do país. Hoje eles têm 279 mil inscritos e mais de 34 milhões de visualizações. Dá uma olhada nesse vídeo, pra conhecer o rolê dos dois:


A aventura “terminou” há algumas semanas, devido à pandemia. Estavam na Turquia, na casa de uma inscrita no canal do Youtube. Perguntei se eles continuariam a viagem, não fosse a Covid-19. “A gente ia voltar este ano mesmo, talvez em agosto. Minha carteira de motorista vence em setembro. O passaporte só tem três páginas em branco, não ia dar pra viajar muito mesmo. A pandemia adiantou um pouco nosso retorno”.


O casal chegou a São Paulo e ficou duas semanas trancados em um hotel, obedecendo as regras de isolamento social. Depois de visitar a família de Michele (a família de Renan mora em Curitiba), continuam em SP, fazendo videos sobre a cidade e arrumando a papelada.

Triste insight. Quando chegaram a São Paulo, os dois perceberam na hora: parecia ser o local onde mais viram moradores de rua. Poucos metros depois, a dona de uma banca de revistas advertiu a dupla a guardar a câmera, para evitar furtos…


Feijoada e paçoca. Em quase cinco anos fora do Brasil, eles dizem que o que mais sentiram falta foi a comida. “Tirando a saudade de parentes e amigos, foi a comida o que a gente mais sentiu falta. Quando a gente voltou, queria comer uma feijoada, mas por causa da pandemia não deu. Pelo mundo é difícil achar feijão. Às vezes a gente encontrava, fazia, mas não era muito bom. Farofa também não acha em lugar nenhum. Primeira coisa que a gente cozinhou [quando retornaram ao Brasil] foi feijão com farofa. Ah, e coxinha. Compramos em uma lanchonete pra matar saudade”. “E paçoquinha”, grita a Michele, de fundo.


Enquanto eles aguardam a pandemia e regularizam documentos, já planejam o retorno à estrada, ainda este ano. Começando pelo Brasil. Quem sabe não vêm conhecer a Terra do ET? Sugerimos aos dois visitar o Sul de Minas. Assim eles podem, de uma vez, conhecer São Thomé das Letras e as cidades de Pelé, Milton Nascimento e do ET de Varginha.


Você também pensa em pegar estrada como eles? Mensagem da dupla para os leitores da Folha de Varginha e BlogdoMadeira: “Já tivemos chefes muito ricos que não tinham nada além de dinheiro. Por outro lado, conhecemos várias pessoas que viajavam vendendo artesanatos ou como artistas de rua e eram muito mais realizados que qualquer milionário por aí.


Você deve descobrir qual sonho te escolheu (“ser rico” não vale!) e fazer com que sua realização seja seu objetivo de vida. Não importa se o sonho é viajar, descobrir a cura do câncer ou se formar em alguma faculdade: nunca é tarde para alcançá-lo!”.

ARRUMADINHO
Michele e Renan mantém as contas na internet (mundosemfim.com). O gasto maior é com hospedagem, seguido de transporte, supermercado, restaurantes e passeios. Dá para ver quanto gastaram em cada país. O mais caro, Estados Unidos.

Números da viagem (até agora…)

• Total de dias viajando: 1310
• Total gasto: R$129.842,23
• Média por dia: 99,12 reais
• Distância percorrida: 79.448 km

Leia mais. Varginha tem dois caras bem legais, na mesma vibe: Tadeu Salgado (@soumochileiro) e Maike Moraes (@viajantepaoduro). Olha um pouco dos videos dos dois.

https://www.youtube.com/c/ViajantePãoDuro

https://www.youtube.com/c/SouMochileiro

Tags: Turismo

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