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Opinião | Inteligência emocional e líderes: nada de novo no horizonte! Será?

abril 17th, 2021 · Sem comentários

Por Luiz Francisco Bueno (*)

Agradeço ao Madeira pela oportunidade de contribuir com o blog, oferecendo aos leitores (as) algumas reflexões sobre o campo das Ciências Humanas e das Organizações.

Vamos lá!

Provavelmente muitos de vocês estavam/estão em home office ou na luta à procura de uma recolocação profissional.

O fato é que entre inúmeras reuniões on line em diversas plataformas, busca de oportunidades profissionais e desenvolvimento de atividades rotineiras em frente aos nossos computadores, notebooks, celulares, também fomos bombardeados por um cipoal de informações e N análises de especialistas, muitas vezes em lives, webseminars etc.

Nessa espiral de overdose de informações, um tema, quase que unânime, surgiu na fala de muitos gurus (alguns nem tanto!) organizacionais e influenciadores “estrelados” nas mídias tradicionais (jornais, revistas, TVs), e, principalmente nas redes profissionais com “chamadas espetaculares” e de “soluções miraculosas”, muitas vezes combinadas com vieses políticos partidários e religiosos, de como vencer e sobreviver à pandemia.

Que tema seria esse?

Não fizemos uma pesquisa “como manda o figurino”, mas arrisco dizer que muitos de vocês hão de concordar comigo: Inteligência Emocional

“Cantada em verso e prosa”, foi citada dezenas de vezes como um dos pilares mais importantes para as lideranças empresariais e políticas (nesse caso, pela ausência!) nessa gigantesca crise que estamos a vivenciar e nas consequências para o day after.

Desde a década de 90 as empresas deixaram de ser estáveis, de ter planejamento estratégico de longo prazo sem revisões constantes, e perpetuação de produtos e serviços, logística e comercialização.

O que ficou desnudada com a COVID 19 foi a ainda existência de estruturas organizacionais engessadas que tiveram que ser rompidas a fórceps para se atingir uma velocidade de resposta aos seus stakeholders, e que pudesse garantir a sobrevivência, inclusive em alguns casos, na reinvenção do próprio negócio junto aos antigos e novos clientes.

Entretanto, um componente na sua essência, não mudou, e, pelo contrário, foi exponencialmente lembrado: a motivação e engajamento dos talentos humanos como saída da crise e na e perpetuidade das empresas.

Nesse sentido, o eterno desafio dos líderes , nesse momento, e no futuro, de mudanças implacáveis e aceleradas, é tornar as empresas mais ágeis e flexíveis, recaindo sobre a necessidade imperativa de criar e manter um clima organizacional saudável que permita não só o alto desempenho mas um sentido de proposito/orgulho e segurança para suas equipes.

Pesquisas indicam que até 30% dos resultados dos negócios provêm do clima organizacional criado pelos líderes e que a percepção de suas equipes faz com que as competências e habilidades são explicitadas em busca de uma melhor produtividade.

O mais interessante que o engajamento organizacional em grande parte (em torno de 70%) é impulsionado pelas competências das lideranças, superando fatores (também importantes, é claro) de remuneração e benefícios. 

Essas competências podem ser agrupadas em um quadro referencial chamado inteligência emocional (IE).

Daniel Goleman, no seu best seller, Working With Emotional Intelligence afirma que “Inteligência Emocional é a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos MOTIVARMOS e de gerir bem as EMOÇÕES dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

Segundo Goleman, a Inteligência Emocional é caracterizada por 05 habilidades (Autoconhecimento Emocional; Controle Emocional; Automotivação; Reconhecimento de Emoções em Outras Pessoas e Habilidades para Relacionamentos Interpessoais). As três primeiras são habilidades INTRAPESSOAIS e as duas últimas INTERPESSOAIS.

Para muitos líderes IE não é um conceito fácil de assimilar, aceitar e principalmente em desenvolver.

Diversos estudiosos da IE indicam alguns fatores críticos no desenvolvimento da mesma.

Faço abaixo um resumo dos principais deles e os conceitos basilares envolvidos.

  1. Prontidão de Resposta: muitas empresas não avaliam de forma profunda a prontidão de resposta e “abertura” de seus líderes e os enviam para um seminário/treinamento de IE. As pessoas aprenderão o que querem aprender e quando quiserem! A aprendizagem requer interesse, motivação e comprometimento.
  •  Motivacional Interno:  As pessoas são motivadas para a aprendizagem quando a mesma está alinhada com seus valores, aspirações e objetivos pessoais e profissionais.
  • Mudança Volitiva: o “investimento emocional” já mencionado também implica em um compromisso e disciplina pessoal em manter o ritmo de aprendizagem, inclusive nas situações sociais.
  • Estabelecimento de Metas: traçar metas especificas, desafiadoras, mensuráveis, atingíveis e temporais, sem se esquecer que os sucessos, mesmo aqueles não tão significativos, devem ser comemorados, pois reforçam e constroem a autoestima e confiança.
  • Prática & Mentoring: mesmo os talentosos esportistas precisam de muito treino e orientação técnica. No desenvolvimento da IE, mudanças de comportamentos devem ser suportadas por mentores sêniores.
  • Modelos e Modelagem: os lideres devem ter um alto nível de autoconsciência e entenderem que as suas equipes tendem a modelar seus comportamentos conforme as atitude e comportamentos dos gestores da empresa, portanto a consistência de ações e credibilidade do modelo a ser seguido, implica além, das competências usadas no atingimento dos resultados, a ética e valores que são imprescindíveis.

Os benefícios advindos do desenvolvimento da IE permitem que os indivíduos passam a ser menos focados em si mesmo e com mais responsabilidades coletivas não só nas empresas mas também na própria comunidade, tonando-se catalisadores de mudanças sem medo de assumir as responsabilidades pelos sucessos e principalmente pelos erros.

Uma visão quixotesca e romântica? Os mais céticos com certeza dirão sim, mas se os cientistas sociais tiverem um certo grau de acerto nas suas previsões do pós pandemia, o novo normal, como já apelidado por vários deles, sempre será disruptivo e para tanto o ser humano terá, assim como as organizaçoes, um reinventar constante como novo paradigma e via de consequência os lideres serão cada vez mais exigidos na sua Inteligência Emocional.

(*) Graduado em Psicologia (USP), Mestre pela UFSC, Consultor de Recursos Humanos e Professor no IPECONT.

Tags: Colaboradores · Opinião

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