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OPINIÃO | Covid-19 e aumento da extrema pobreza no Sul de Minas Gerais.

abril 16th, 2021 · 1 Comentário

Por Joice Zentner: pesquisadora, mestranda em Gestão Pública e Sociedade pela UNIFAL-MG; Dr. Fernando Pereira, professor de Economia da UNIFAL-MG).

A crise sanitária pelo qual passa o Brasil tem acentuado as desigualdades sociais, além de ter mostrado um crescimento da população em estado de pobreza e, especialmente, extrema pobreza. O território brasileiro se viu novamente caminhando em direção ao mapa da fome desde 2018 (IBGE,2020), situação que vem se intensificando pela crise econômica sem fim, agravada pela pandemia de covid-19 há mais de 12 meses.

O avanço da pandemia criou a necessidade de medidas sanitárias como o afastamento social, barreiras sanitárias, funcionamento do comércio em horário reduzido e lockdown, com o fechamento de atividades não essenciais e outras medidas como toque de recolher, dependendo da região. A necessidade de medidas restritivas para controle do vírus, porém, impactou diretamente a economia (o PIB recuou 4,1% em 2020 e a trajetória de queda ainda continua no primeiro trimestre de 2021, segundo dados do IBGE), uma vez que, com a redução da receita de indústrias e comercio, houve um aumento no número de demissões, provocando queda da renda e do consumo, alimentando um círculo vicioso de retração para diversos setores.

As medidas paliativas, adotadas pelos governos, vem se mostrando necessárias, porém, insuficientes para frear o aumento da pobreza em todo território. Em particular, o Sul de Minas também tem sido afetado pela crise. Até mesmo cidades médias de grande relevância dentro da rede interurbana da região, que apresentam bons índices econômicos e sociais, como Varginha, Poços de Caldas e Pouso Alegre, vem registrando um preocupante crescimento no número de famílias em situação de extrema pobreza (renda correspondente a menos de R$3 diários por pessoa), segundo dados fornecidos pelos órgãos oficiais das respectivas prefeituras municipais para o período de janeiro de 2020 à janeiro de 2021.

Em Poços de Caldas, o número de famílias em situação de extrema pobreza cresceu 31,9%, saltando de 2.263 para 3.080. Em Pouso Alegre o aumento foi de aproximadamente 18,1%, e atinge atualmente a aproximadamente 4 mil famílias. Por fim, Varginha apresenta um quadro relativamente mais ameno, com um aumento de 10,6%, correspondente a 1.586 das famílias nesse estado[1].

Fica evidente a necessidade de políticas públicas mais contundentes, pensadas de forma a conter o avanço da (extrema) pobreza e mudar o panorama apresentado. Sem isso, o círculo vicioso só se aprofunda.


[1] Um agradecimento à equipe do EPTV Sul de Minas, responsável pelo levantamento de dados juntos às respectivas prefeituras municipais.

Tags: Colaboradores · Opinião

1 Resposta Até Agora ↓

  • 1 Edgard Ximenes Machado // abr 16, 2021 at 3:44 PM

    O Ministro Paulo Guedes plagiando o Presidente Bolsonaro disse:
    “Mais Brasil e menos Brasília”. Com essa colocação deixou claro que a concentração de recursos no Brasil é uma realidade que precisa urgentemente ser atenuada através das propaladas reformas. Sabemos que o país nada mais é do que a somatória de municípios. Portanto, quanto mais desenvolvido for os municípios, mais desenvolvido será o Brasil e isso é uma lógica.

    A extrema pobreza que assola o país e quiçá o mundo, é a natural consequência de uma política econômica voltada para atender interesses políticos cujo objetivo, ultrapassa o bom senso dos entendidos na matéria.

    Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa.

    Esperar o bolo crescer para depois repartir. Teoria do ex Ministro Delfim Neto.

    Ninguém previa com a antecedência necessária (a exceção da China), que iríamos enfrentar uma pandemia de proporções tão alarmantes.

    A desigualdade social nos acompanha de longa data e infelizmente parece que o corporativismo que só levam vantagens sobre os infelizes compatriotas, não pretendem aderir a ideologia bolsonariana.

    A situação é deveras angustiante.

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