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OPINIÃO | Instituição tóxica

junho 15th, 2021 · 4 Comentários

Gustavo Marangão (*)


O alistamento militar obrigatório termina no fim do mês de junho, e muitos jovens com seus dezoito anos devem se alistar. Com a praticidade da internet, eles podem fazer tudo pelo aplicativo do exército, só pôr seus dados e pronto, estarão aptos para os próximos passos e quem sabe para ir rumo ao estrelato militar.

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Mas esses jovens, com suas cabeças frescas de ideias, que se acham donos de seus próprios passos, são muitos novos para ter uma certa intelectualidade sobre os conhecimentos que essa entidade militar representa.

De maioria feita por homens, heterossexuais, cisgêneros, o exército é uma entidade milenar que pouco se mudou; mas que se mudou mesmo seriam a tecnologia de suas armas, que mudaram muito desde os arcos e flechas, passando por metralhadoras e armas nucleares.

Pouco se fala abertamente dessas entidades, mas uma coisa que não se fala, mas que hoje em dia todos podem ter a mão com a internet, é que essas instituições se povoam de uma toxina muito maléfica, que seria a masculinidade tóxica, advindas de uma sociedade patriarcal, que põem seus homens em uma redoma feita por outros homens, que circula o achismo de estarem cumprindo um dever patriótico; mas que infelizmente se administra injeções de um autoritarismo que pulsem nas gerações que chegam.

Com o atual governo presidencial que temos agora, onde o presidente é um militar da reserva, temo que isso influencie os jovens de uma maneira nada boa.

Estamos vivendo uma pandemia horrível e sem controle, porque nosso presidente, um modelo heterossexual, cisgênero, construído no militarismo, com discursos da era da Ditadura – aliás, ele venera e idolatra militares que teriam uma ficha criminal maior que um traficante – como vemos nas eleições passadas, influenciou muitas pessoas com sua toxina reacionária.

O Brasil, é o país que mais mata LGBTQIA+ no mundo, e que numa estranha coincidência, é o que mais consome pornografia transexual no mundo!

Isso é prova de um regime de masculinidade tóxica, que adentrou as veias não só de nossos homens, mas também das mulheres. Pois, nosso país sempre projetou a propaganda de uma sociedade em que o homem é a força motriz de trabalho e renda da família, e a mulher teria que ficar em casa com os filhos.

Gosto muito da arte e da cultura, e se formos fazer uma pesquisa histórica sobre isso, depararemos com os obstáculos que os artistas enfrentavam em épocas passadas, como por exemplo a carteirinha que as atrizes usavam para falar de sua profissão, que era a mesma que as profissionais do sexo, usavam; isso era parte do regime da época passada, uma época em que ser subversivo, era ter o livro O Capital e outras leituras como essa em casa.

O ambiente tóxico que o Brasil está, é feito por raízes de uma árvore, em que se plantou em solo que não era regado por estudos da história e outras ciências desse segmento.

Uma cura para essa toxina que adentra o sangue dos nossos brasileiros, seria a discussão sobre gêneros nas escolas. Porque o mundo hoje é mais aberto para se falar sobre esses assuntos; mas o Brasil, ainda com sua persona masculina e toxica, se faz de surdo sobre esse tema e quando ele dá ouvidos, é para fazer discursos – discursos esses como do presidente de nossa republica – onde se ouve a oralidade de palavras absurdas e sem fundamentos científicos, que foram marinadas em ideologias de uma fé louca, administradas pelo patriarcado brasileiro.

Em nossa Varginha, há quem defenda escolas militares; mas isso seria um tiro no pé com um revolver bem potente, já que Varginha é uma cidade pequena do interior de Minas, que possui artistas e escritores fabulosos; uma implementação de uma escola militar onde os alunos só aprenderiam a viver com regras, tendo sempre a mesma aparência sem suas individualidades, ensinados em regras de um patriotismo, o mesmo que no século passado da Ditadura, obrigou os militares torturarem mulheres e crianças, seria um assassinato par a arte; já que os jovens não precisam de autoritarismo e sim de conhecimentos artísticos. Que tal se abrissem mais escolas de teatros e outras de literaturas? Quem sabe fomentando a arte e a cultura, invés de criações de ambientes tóxicos, poderíamos gerar mais pessoas pensantes, ao invés de soldados que não conseguem nem ajudar a falar abertamente sobre os tempos obscuros de sua instituição militar.

 (*) Estudante de Jornalismo e escritor

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BlogdoMadeira.
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Tags: Colaboradores · Opinião

4 Respostas Até Agora ↓

  • 1 38 bem putº // jun 16, 2021 at 3:02 PM

    Acho que o autor não serviu nem o Tiro de Guerra, não vou mencionar EsSA ou outra instituição maior.

    E é justamente por isso, por seguir as REGRAS que os ex militares (como eu) têm respeito pelos mais velhos, admiramos as leis e gostamos de punições rígidas para os “sem regra”.

    Acho que na verdade o Brasil deveria fazer como e Coréia, 3 anos de serviço militar obrigatório. Qualquer dúvida cheque o índice de criminalidade por lá nos últimos anos.

    Agora fica a dúvida, se pregam igualdade, porque gays e afins não deveriam servir as Forças Armadas?

  • 2 Maira Zanateli Silva // jun 16, 2021 at 10:18 AM

    Concordo com o autor eu como mulher sou contra essa ideologia militar.

  • 3 Eu // jun 16, 2021 at 4:14 AM

    Só espero que o autor tenha vivido o Exército, prestando o serviço militar obrigatório, para tecer sua opinião.

  • 4 caolho // jun 15, 2021 at 6:28 PM

    Pronto! Agora querem que militares não trabalhem mais com ordens e sim com chiliques…. é o fim do mundo.

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