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Opinião | Vivaldi, o Padre Ruivo

outubro 16th, 2021 · Sem comentários

Foto: Gabriel Faria

Por Alexandre Braga (*)


Caro leitor, quem não conhece o famosíssimo tema da “Primavera” das “Quatro Estações”, de Vivaldi?  

Nesse texto irei falar sobre esse compositor, Antonio Lucio Vivaldi, que nasceu em Veneza, dia 04 de março de 1678 e faleceu longe da “Sereníssima” e das glórias que apreciou em vida, no dia 28 de julho de 1741, em Viena. 

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A música de Vivaldi é extremamente emotiva; demonstra um belíssimo cantabile e possui uma veia rítmica pulsante. Ela cativa tanto o ouvinte como o intérprete.

Encontramos, em sua vasta obra, extremos emocionais, como a dolorosa lamentação de um Stabat Mater (música composta sobre um texto que representa Virgem Maria aos pés da cruz) até um explosivo concerto de violino n.4 do caderno “La Stravaganza”; passando pelo bucólico gorjear de um pintassilgo em seu Concerto para flauta “Il cardellino” op.10, n.3, além de várias outras composições que mostram diferentes facetas desse gênio. 

Curioso que sua obra mais conhecida, a já mencionada “Quatro Estações”, embora tenha feito muito sucesso na sua época, caiu no esquecimento (assim como toda sua obra), só ressurgindo no início do século XX.

Essa mesma obra foi adaptada pelo próprio Vivaldi em sua ópera “Dorilla in tempe” e por outros compositores da época, como Chedeville e o filósofo Jean-Jacques Rousseau.

Vivaldi era um compositor  muito bem conceituado e apreciado, inclusive o grande Johann Sebastian Bach se encantou com sua obra: ele arranjou para órgão solo alguns de seus concertos originalmente composto para cordas (sugiro a audição do Concerto BWV 593 arranjado por Bach sobre o original de Vivaldi RV 522). 

Vivaldi ordenou-se padre e, por causa de seus cabelos ruivos, ficou conhecido como “Il Prete Rosso” (o padre vermelho).

Ele chegou a celebrar algumas missas por pouco tempo, tendo que parar com o ofício por conta de uma asma (diz a lenda que ele também incomodou a Igreja por, durante uma missa, abandonar o altar e descer à sacristia para anotar o tema de uma fuga).

Esse mestre trabalhou durante muito tempo no Ospedale della Pietà, um orfanato que acolhia jovens mulheres (abandonadas por famílias pobres ou mesmo bastardas filhas naturais de nobres).

Essas meninas, sob o ensinamento do maestro, eram virtuoses em vários instrumentos, e os concertos do Ospedale ficaram famosos, tornando-se ponto turístico obrigatório em Veneza para se ouvir música de altíssima qualidade.

O virtuosismo dessas meninas provavelmente incentivou muitas composições do mestre, inclusive quanto à abundância de instrumentos ali existentes : viola d’amore, todos tipos de flauta, chalumeau, fagote entre outros (recomendo ouvirem o Concerti con molti instrumenti, RV 558).  

Além de compor música sacra e instrumental, Vivaldi teve uma altíssima produção de óperas. O mestre teve uma grande importância na História da Música por ajudar a padronizar e fixar o gênero de concerto para solista e orquestra. Ouvir Vivaldi é entrar em contato direto com uma música que desperta emoções, reveladas em uma encantadora beleza estética.

* Músico varginhense, flautista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais

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Tags: Opinião

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