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As histórias por trás das mortes em Varginha

setembro 4th, 2021 · 3 Comentários

Graças a Deus e à ciência, as mortes decorrentes da Covid diminuem em Varginha. Mas, há pouco tempo, a situação era bem diferente.

O Jornal Folha de Varginha divulgou, na edição do dia 29 de julho de 2021, uma edição com números tristes.

Em três meses, Varginha havia dobrado o número de mortes por Covid registrado no ano anterior.

Clique em Leia Mais para conhecer um pouco mais das histórias de quem morreu por causa do Coronavírus em Varginha.

É um registro histórico para os próximos saberem o que aconteceu. 

E pra gente tentar evitar novas situações como essa.

Matéria 6 mãos: Eduardo Bregalda, Isabela Simões, Marcus Madeira

Morte #0

A primeira morte por Covid em Varginha aconteceu dia 7 de abril 2020.

No dia 7 de abril de 2021, um ano depois, eram 164 vítimas fatais.

Três meses depois, em julho, a cidade praticamente dobrou o número de mortes.

Fechamos esta edição no dia 28 de julho.

Varginha já contava 319 mortes

Os momentos em que a letalidade foi maior foi justamente no mês de julho, quando infelizmente foi comum ouvirmos as marcas diárias de mortes pela Covid em Varginha.

Em alguns dias foram registradas 4 ou 5 mortes.

A letalidade pode ser explicada pela presença da variante P1, que causou o colapso no sistema de saúde de Manaus.

Além das perdas, a Covid banalizou o assunto morte.

Tornou-se comum perguntar quantas pessoas morreram hoje pela Covid.

Na semana em que Varginha registrou a infeliz marca de 300 mortes por Covid-19, o BlogdoMadeira ouviu algumas famílias que perderam familiares, parentes, e amigos.

É uma tentativa de evitar a banalização da letalidade. E humanizar um pouco os números registrados em Varginha.

A equipe do Blog do Madeira se solidariza com as 300 famílias que perderam um ente querido.

Sem sensacionalismo, com o objetivo de registro histórico, esperamos que seja uma oportunidade do leitor refletir e lembrar da importância de seguir os protocolos da Covid.

Evite aglomerações. Se informe. Cuide de você e de quem você gosta.

Paciente Zero

A primeira morte por Covid em Varginha foi registrada dia 7 de abril de 2020.

Um ano depois, eram 164 mortes.

Em três meses, esse número dobrou.


Maria, 1 ano

Em menos de um mês, a Covid levou a pequena Maria, de 1 ano e 5 meses. O calvário começou dia 15 de fevereiro.

Os primeiros atendimentos foram em Varginha.

Poucos dias depois, Maria foi internada na UTI pediátrica de Pouso Alegre, já intubada. Teve uma parada cardíaca de 24 minutos, mas foi reanimada. Foi constatada a morte cerebral.

No dia 11 de março deste ano, os médicos desligaram os aparelhos que mantinham a bebê com vida.

Até lá, a família passou por uma situação extremamente traumática, como conta a mãe da Maria, a assistente social Lorena Ferrari:

“Os médicos precisavam fazer exames para diagnosticar a morte cerebral, mas, para fazer os procedimentos, eles precisavam diminuir a quantidade de oxigênio que a Maria recebia. Quando eles diminuíam, a saturação dela caía. Isso não é permitido por lei. A gente teve que esperar até 11 de março, quando a saturação dela estabilizou. Eles fizeram os exames e constataram a morte cerebral. No dia seguinte, os órgãos dela foram deixando de funcionar, e os médicos foram desligando os aparelhos. Ela morreu nos meus braços”, relata Lorena.

A mãe da pequena Maria passou a usar antidepressivos e remédios para dormir.

A filha mais velha, de 10 anos, também sofre com o luto da morte da irmã. Lorena criou uma página no Instagram, onde posta fotos e textos sobre a filha.

Foi a forma usada para enfrentar o luto.


Roberto e Eva

Roberto Nishiyama morreu dia 1º de julho. A esposa Eva nem ficou sabendo. Estava na UTI. Faleceu dia 24. O depoimento é da filha Gisele:

“Nós não estamos tendo nem tempo para sentir o nosso luto, a nossa dor, pela perda do nosso pai que já tinha vacinado as duas doses para Covid-19, pois minha mãe ainda estava no C.T.I., inconsciente e intubada. [Dona Eva faleceu poucos dias depois. Em respeito, a reportagem não entrevistou a família novamente].

Estou grávida de 6 meses e nós, filhas e nossos esposos, temos muitos papéis, burocracias para cuidar, insumos para comprar, em um momento financeiro que para nós, professores, está muito difícil. O sentimento que mais nos assola é o da impotência.

A única solução que encontrei foi a fé. Cada organismo reage muito particularmente e a pessoa em estado crítico depende exclusivamente de Deus, da própria luta e dos profissionais da saúde. Acreditem que o melhor vai acontecer, precisamos de emanações positivas para o mundo todo.

A todas as famílias que passam por isto, solidarizo-me, não percam jamais a fé. Nada é maior do que o amor de mãe para com seus filhos”.


Pai e filho

O depoimento é de Rute de Araújo Moreira, irmã de Vitor José Moreira e filha de Vitor Ponciano Moreira.

“Meu irmão mais velho, 57 anos, morreu na madrugada do dia 26 de janeiro, uma segunda-feira.

O meu pai, o senhor Vitor Ponciano Moreira morreu no final da tarde de quarta, dois dias depois, com 87 anos. Pra gente até hoje está sendo ilógico, muito difícil, muito difícil mesmo.

Nossa família está quebrada, arrasada.

Sou irmã caçula de 5 irmãos e muito agarrada com meu irmão mais velho. Ainda é difícil falar. Na minha família, todos tivemos Covid-19 e nos recuperamos, até a minha mãe de 87 anos, graças a Deus ela está com a gente. Foi muito difícil, sabe. Mas infelizmente, Deus levou eles. Mas Deus quis assim. E assim é a nossa vida na terra”.


No trabalho

Alexandra Souza Mozeli conta como perdeu o marido, Luiz Antônio Mozeli.

Ela diz que ele saía de casa apenas para o trabalho. Onde se contaminou e morreu, poucos dias depois.

“Meu marido era uma pessoa muito boa e responsável. Se cuidava, só saía de casa pra trabalhar. Quando de repente um susto: uma pessoa irresponsável, que não acredita na situação que estamos vivendo, se reuniu com amigos para uma pescaria. Depois foi trabalhar. Essa pessoa estava com sintomas, febre inclusive, mas avisou para ninguém. Só no terceiro dia de trabalho, resolveu fazer o teste e deu positivo.

Quando soube, meu marido fez o teste, que também deu positivo. Isso foi no dia 16 de junho. Aí começou a batalha. Remédios e mais remédios. Até que ele teve que internar. Ficou 4 dias internado.

Foi preciso intubar, mas ele teve uma parada cardíaca. Na madrugada do dia 30 de junho, recebi a pior notícia da vida. Assim terminou uma linda história. Meus filhos não vão ter o que comemorar no Dia dos Pais”.


Seu Pedro

Pedro Inácio da Costa Filho, 69 anos seguia todas as recomendações de saúde.

Frequentava uma academia de ginástica junto com a esposa. A família acredita que ele tenha sido contaminado lá.

“Nós moramos juntos, somos em 7”, conta a neta Layane Costa.

“Minha vó foi a primeira a manifestar os sintomas. Todos nós pegamos. Só que ele precisou internar, foi intubado, e já estava melhorando, já tinha sido extubado. Porém, teve um choque anafilático/séptico, o que levou a uma parada cardiorrespiratória e morreu. Apesar de todos os cuidados, não foi possível salvar a vida dele”.


Aloísio Françoso

O publicitário Aloísio Palmuti dá um depoimento angustiante.

Ele conta como foi o último dia em que viu o pai.

“Uma doença implacável e certeira que continua, além de tirar muitas vidas, deixando famílias totalmente destruídas e traumatizadas. Em minha casa encaramos bem a pandemia, fizemos isolamento, usamos máscaras e tomamos todas as medidas de segurança, mas nem isso foi suficiente para evitar o contágio e tudo foi muito rápido.

De uma tosse seca a uma saturação de 70%, aos poucos o senhor metalúrgico, pai de 5 filhos que dava marretadas e trabalhava com toda energia de um jovem, foi desfalecendo, caindo os ombros e perdendo a força para andar. Depois de muita insistência conseguimos levar meu pai para a UPA e foi o meu penúltimo momento com ele, provavelmente ele já sabia da consciência da possível gravidade e não deixava de demostrar em sua feição.

De lá, já foi levado para o oxigênio e eu já não tive mais contato, foram dias de pioras e quase nenhuma informação a respeito dele, um desespero completo.

Chegou a transferência para o hospital de campanha e com ele meu último momento com meu pai, aonde consegui infiltrar no estacionamento da UPA e acompanhar todas as ambulâncias que passam por lá, esperando para poder ver ele em seu deslocamento. Sim, consegui, conversando com os bombeiros eles me orientaram e eu vi ele, mas não consegui falar nada, acho que dessa vez foi eu quem sabia da gravidade da situação, no silêncio e no olhar a gente sempre se entendeu bem, em seguida ele só perguntou pela minha mãe e foi colocado para dentro da ambulância e ali nunca mais nos vimos.

Hoje temos 300 mortos em Varginha, são 300 famílias que passaram pelo pior momento de perder alguém, a dor de não poder visitar, de ficar à mercê da boa vontade dos médicos em dar notícias, de não poder se despedir em um velório digno, são essas uma das dores que só quem perder alguém pelo Covid consegue saber.

Infelizmente o fim da história do meu pai foi essa, mas ainda dá tempo de salvar muitas vidas, não deixe de fazer a parte básica da existência que é cuidar e pensar no outro com carinho e amor.”

Tags: Saúde

3 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Carlos // set 6, 2021 at 11:58

    Eu tive covid, fiquei com 40 por cento dos pulmões comprometidos, graças a Deus não precisei de internação, mas tenho sequelas até hoje da doença. Para quem acha que é uma “gripezinha ” como diz o nosso miliciano chifrudo presidente,tomem cuidado,pois é muito grave.

  • 2 Diego // set 5, 2021 at 01:54

    Sei que nesse momento, palavras não são o suficiente.
    Mas desejo benções e superações a todos. Me emocionei com os relatos dos familiares. Espero de verdade, que estas pessoas colham os melhores sentimentos positivos possíveis.

  • 3 Deus nos ajude // set 4, 2021 at 11:48

    E mesmo com essas histórias tristes e devastadoras, ainda temos idiotas indo às ruas e usando em seus carros adesivos pra defender um presidente que é culpado pelo sofrimento de tantas famílias.
    As pessoas que ainda defendem esse governo são tão desprezíveis quanto.

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