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Varginha! Um pouco de sua história

outubro 23rd, 2020 · 27 Comentários

Linha do Tempo da cidade

(Texto do jornalista Marcus Madeira, disponível nos sites do IBGE e Prefeitura de Varginha)

1808. O príncipe João foge para o Brasil e escapa de Napoleão Bonaparte, o homem mais poderoso do mundo. A colônia de Portugal somava 3 milhões de habitantes. A economia girava em torno da agricultura e extração mineral, movidas à base de escravos. 

Dentro desse contexto surge Espírito Santo das Catanduvas, um arraial no Sul de Minas com cerca de 1.000 pessoas. A criação do povoado é toda influenciada pela religiosidade e pelos costumes portugueses. 

O trânsito de tropeiros no Sul de Minas era permanente. Entretanto, o desenvolvimento do núcleo ainda era lento. Em 1832, a população de Varginha era de exatos 1.855 habitantes, um crescimento de 85%, tímido para duas décadas e meia. 

A Igreja adquiriu as áreas no centro da futura cidade, que pertenciam ao casal D. Thereza Clara Rosa da Silva e capitão Francisco Alves da Silva.

Durante 43 anos Varginha foi um curato (aldeias com condições necessárias para se tornar o distrito de um município). As principais obras que marcam esse período são as construções de igrejas (Matriz do Divino Espírito Santo e Rosário). 

Em 1º de junho de 1850, o curato foi elevado à paróquia (ou freguesia, onde estão os fregueses da paróquia). Varginha experimentaria, então, o primeiro surto desenvolvimentista. Foram construídos os primeiros prédios públicos, como as duas primeiras escolas públicas e a cadeia.

A freguesia contava com 300 móveis, na avenida Rio Branco, rua Wenceslau Braz (rua da Chapada), Presidente Antônio Carlos (rua Direita), Delfim Moreira (rua São Pedro). Poucos resistem até hoje. 

O segundo boom desenvolvimentista da cidade advém do fim da escravatura. Para substituir a mão-de-obra escrava, é firmado um acordo com a Itália, onde vários imigrantes deslocam-se de sua terra natal para o Brasil. A passagem era paga pelo governo brasileiro, em troca de cinco anos de trabalho na lavoura.  

Em 1.888 a recém-criada cidade de Varginha recebeu a maior leva de imigrantes, 1.020 no total. Eram 806 italianos (toscanos, lombardos e venetos procedentes, em sua maioria, de campos e aldeias), mais portugueses, espanhóis, turcos e alemães. Radicaram-se em Varginha, escrevendo uma das mais importantes páginas da história da cidade.

O principal impulso dos imigrantes ocorreu inicialmente na agricultura. As duas culturas significativas eram a cana-de-açúcar e o café. A pequena vila contava com 113 estabelecimentos de beneficiamento de café no começo do século XX. Em 1933, a cidade contava com seis engenhos e uma produção de 2 mil toneladas de cana-de-açúcar. 

O terceiro momento relevante do desenvolvimento de Varginha acontece com o início do funcionamento da linha férrea em Varginha, em 1892 (no mesmo local onde está o prédio atual da estação ferroviária). A cidade recebia suas primeiras empresas e o movimento era intenso.

São dessa época duas obras básicas de infraestrutura: as primeiras obras de calçamento e a iluminação pública, de gás acetileno e postes de metal. 

Foto da Fabrica de Manteiga de Varginha. Titulada no jornal antigo de Varginha como “Nossa Industria”, a fábrica era do Sr. Villela & Comp. e ficava situada a praça da Estação. Fabricantes da afamada manteiga Paiva e Turmalina.

Com o aumento da população, surgem opções de lazer, na rua da Chapada (onde hoje fica o calçadão da Wenceslau Braz, na altura aproximada da loja Ponto Frio).

O Theatro Municipal é inaugurado em 1904; seis anos depois, no mesmo local, é aberto o Cinema Brasil, talvez o primeiro do Sul de Minas. Foi instalado pelo empreendedor capitão Pedro da Rocha Braga. A máquina era gerada por motor a querosene, desligado durante algumas sessões pela quantidade de fumaça. O cinema era itinerante, e o motor era levado em carro de boi a algumas cidades próximas.

Em 1913 a Empresa Telefônica Varginhense interligava 150 aparelhos na cidade.  Aos poucos o perfil da economia agrícola vai cedendo espaço, ainda de forma tímida, para a indústria.

Interessante que todo o movimento econômico girava em torno da estação ferroviária. Como a Rua Alves e Silva, antiga Rua dos Comissários, durante muito tempo o centro comercial e financeiro de Varginha. Nesta rua funcionaram agências bancárias, Casa Navarra e a Associação Comercial de Varginha.

Casa Navarra, década de 50

A Casa Navarra era o concessionário da Ford, comercializava materiais de construção, eletrodomésticos, materiais elétricos e era agente de grandes bancos na cidade, além de ter oficina eletromecânica própria.

O Festival de Cinema é realizado no Espaço Botafogo (Foto: Luiz Valeriano)
O Festival de Cinema é realizado no Espaço Botafogo (Foto: Luiz Valeriano)

O prédio onde funcionou a Associação Comercial foi posteriormente, durante muitos anos, o Clube Botafogo, reduto da boemia da cidade. O imóvel foi construído originalmente na década de 20 para sediar a Rebêlo & Alves, uma das primeiras empresas de café da região. Durante longo período, funcionou ali o Banco do Distrito Federal. Homero Frota comprou a casa na década de 60. 

No imóvel ao lado da Rebêlo & Alves (onde é atualmente uma residência), funcionava o Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais.

No quarteirão em frente à estação ferroviária (acima), funcionava o Hotel Megda, sucedido pelo Grande Hotel Maduro. Embaixo, havia armarinhos e secos & molhados.

No imóvel de esquina onde funcionou o Museu Municipal ficava o Banco do Brasil. Ao lado, onde foi durante muitos anos a sede do Jornal Sul de Minas, ficava o Banco do Comércio e Indústria.

Em frente, no local onde hoje há vagas para carros, os passageiros embarcavam nas “jardineiras” para viagens regionais. 

Do lado de baixo da estação ferroviária ficava a Cervejaria Glacial Ártica, de propriedade da empresa Mello, Rezende Ltda. Em 1927 contava “com a producção diária de quatro mil garrafas e trez mil kilos de gelo”. Também produzia o guaraná “O Futurista”. 

Mas, segundo os documentos que registram a história do município, o progresso de Varginha foi intensamente impulsionado após 1925, com a visita do presidente do Estado, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Na ocasião, o presidente assumiu um empréstimo no valor de 2.500 contos de réis, o equivalente a cem fazendas. O empréstimo possibilitou a terraplenagem e reestruturação completa da cidade, com o asfaltamento das principais ruas, iniciando em definitivo o processo de urbanização. 

Nesse período surgiram importantes instituições para Varginha: os colégios Marista e Santos Anjos; Banco do Brasil; Hospital Regional do Sul de Minas; e a Associação Comercial de Varginha. 

Crise

Outubro de 1929. A quebra da Bolsa de Nova Iorque acentua a crise do café no Brasil. Nosso país fica atolado com uma produção de 21 milhões de sacas, bem maior do que a demanda. O governo dos Estados Unidos desiste do empréstimo de 50 milhões de dólares para os cafeicultores brasileiros. Apesar das dificuldades que sempre marcaram a cafeicultura, e mesmo neste momento particular, o café sempre foi considerado importante propulsor da economia local.

Com o tempo, a indústria cafeeira (beneficiamento e exportação) ultrapassou a produção (lavoura) na cidade. Varginha começa a se expandir. Novos bairros surgem. O primeiro deles, a Vila Barcelona, formado em sua maioria por operários. 

Na década de 50, Varginha possuía uma das praças de esportes mais bonitas e completas do Estado (hoje, VTC).

A cidade ainda se restringia ao “miolo” do centro. As casas terminavam na avenida Major Venâncio, no “Areião” (Fátima), na Vila Barcelona e nas Três Bicas. Bairros como Catanduvas, Jardim Andere, Bom Pastor ainda não existiam, eram considerados zona rural.  

Começam a ser criadas regionais dos governos estadual e federal.

A era do ensino superior tem início em 1965, com a primeira escola de ensino superior (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras).

Inauguração do Colégio Catanduvas

Nos anos seguintes são criadas a Faculdade de Direito de Varginha, Faculdade de Ciências Contábeis e de Administração, a Faculdade de Engenharia Mecânica (a hoje extinta Fenva) e a Fepesmig, que se tornou, depois, Centro Universitário do Sul de Minas. Mais recentemente, Unifenas e Unifal. 

Na década de 70 inicia-se o processo moderno de industrialização da cidade, notadamente durante as administrações dos prefeitos Eduardo Ottoni e Aloysio Ribeiro de Almeida. Foi nessa época que se instalaram em Varginha centros de educação profissional do SESI, SENAI, SENAC e, mais tarde, SEBRAE.

Nas décadas seguintes, essas instituições garantiram a formação de mão-de-obra qualificada para cidades do Sul de Minas, o que ocorre até hoje. 

O parque industrial contemporâneo de Varginha começou a tomar forma com empresas como Café Bom Dia, Pólo Films, Plavigor, FL Smidth, Heatmaster, Moinho Sul Mineiro, CBC e Cooper Standard.

Mais recentemente, durante as administrações de Antonio Silva e Mauro Teixeira, foram instaladas empresas como Philips-Walita, Coleção, Flexfor. 

Como já citado neste texto, a vocação agrícola de Varginha foi sendo substituída pela indústria e prestação de serviços. O mesmo ocorreu com o café. Hoje, os números da torrefação e da exportação do café são extremamente mais expressivos do que a lavoura do município.

Essa adaptação ao mercado e aos novos tempos permitiu à Varginha ser a segunda praça de comércio de café do mundo, só perdendo para Santos, no litoral de São Paulo. 

Mesmo com todos os números e conquistas, Varginha não é mais a maior cidade da região nem a mais rica. Apesar de possuir um parque industrial considerado, uma rede de saúde significativa, e a principal rede de serviços públicos na região, amarga a terceira posição na economia do Sul de Minas.

Cabe a Varginha enfrentar o desafio de promover o desenvolvimento sustentável, oferecendo emprego a seus moradores na mesma proporção que o lazer e serviços sociais. Sem perder qualidade de vida.

Tags: Memórias de Varginha

27 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Lincoln Grecco // out 25, 2020 at 11:37 AM

    Magnifico documentário s/ a querida Varginha! Aprendi muito.Obrigado.

  • 2 Caros // out 25, 2020 at 10:16 AM

    Parabéns!!
    Já conhecia a história de Varginha , porém, é muito bom relembrar.
    Parabéns pelo texto enxuto e explicativo do crescimento de nossa cidade.

  • 3 Paulo Cesar // out 24, 2020 at 6:34 PM

    Madeira, uma sugestão:
    Vamos falar das histórias das corridas de rua em Varginha:
    2011- Professor Wagner Vinhas.
    2012 a 2016- Professor Lauro Cezar.
    2017 a 2019- Aciv.

  • 4 Varginhense atônito // out 8, 2020 at 6:37 PM

    Não estrou entendendo quanta matéria tomando espaço aqui no blog…. sem nada a ver com o assunto principal que é sobre mais um aniversario da nossa querida Varginha…
    Alguem pode me explicar por que tudo isso???

  • 5 edson // out 8, 2020 at 9:16 AM

    Que bela materia, parabéns a todos que contribuiram !!!

  • 6 PCM // out 8, 2020 at 8:30 AM

    Belo Texto,
    Vale a pena sempre registrar a história.
    O homem sem história não existe.
    Sugiro a revisão do texto pois algumas pois algumas datas marcos foram omitidas e ou apresentadas de forma imprecisas tais como a chegada da CBC na cidade, Fundação da FEMVA,CEFET, Associação Recreativa Beneficiente Operária etc.
    Parabéns Varginha e ao seu povo nativo ou não.

  • 7 Cláudia // out 7, 2020 at 9:22 PM

    Estou em Varginha desde 1982. Estou sempre aprendendo um pouquinho sobre a cidade que escolhi para viver. E este texto me ajudou muito nesse processo de aprendizagem. Obrigada!
    Fico triste só quando vejo prédios lindíssimos que não existem mais e deram lugar a paredes sem vida. É uma pena a gente ter perdido algumas construções maravilhosas…

  • 8 Edgard Ximenes Machado // out 7, 2020 at 7:56 PM

    “O QUE SERIA DO SUL DE MINAS SE NÃO EXISTISSE VARGINHA ?”

    _ Seria naturalmente, uma região de rara beleza, porém com a ausência de uma grande e nobre Princesa.

    Mas para o bem de todos e a felicidade geral da Nação, Varginha existe. Existe com as suas qualidades e com seus defeitos, com sua laboriosa população e com seus dinâmicos administradores, procurando sempre acertar, para que num futuro não muito remoto, a Princesa se transforme numa autentica Rainha.

    Soberana em todos sentidos, onde seus filhos legítimos e ilegítimos, sejam testemunhas ocular da historia de uma cidade que a despeito das dificuldades conjunturais, se engalanou para inserir definitivamente no contexto das comunas que orgulham o nosso querido Brasil.

    Sugiro a elaboração de um manual com informações básicas para investidores. Quem sabe, um dia… Varginha poderá ser paradigma para suas congêneres.

    A nossa hegemonia depende de nós, no próximo dia 15 de novembro (domingo), caberá aos sufragistas a responsabilidade de elegerem o melhor candidato para administrar o nosso município. “Quem ama, cuida”.

    Parabéns Princesa, pelos 138 anos de emancipação política administrativa.

  • 9 Roberto. // out 7, 2020 at 6:11 PM

    Madeira li tudo, levei um susto quando fui ler os comentários, comentei em 16/set/2011 (acima). Como faz falta a minha mãe, quase não ouço mais
    histórias de Varginha. Fez eu chorar muito, a saudade só aumentou.
    Obrigado

  • 10 Roberto // set 16, 2011 at 2:20 PM

    Sempre li e ouvi histórias de Varginha;
    A minha mãe contava muitas história da
    Cidade e seus governantes.
    Parece que eu participei destas épocas ( anos 40 ),
    Motivado por ela acompanhei desde anos 70 o
    Crescimento e desenvolvimento de nossa Varginha.
    Tenho saudades da cidade e de minha mãe que não tá mais neste mundo.

  • 11 Luiz Otávio // fev 8, 2011 at 2:56 PM

    Cara fiz uma viagem no tempo e lembrei de quando eu m0rava no Canaã e que a luz de nossa casa era lamparinas não tinha tv e eu usava calça curta com suspensorio e jogava bolinha degude nas ruas do bairro.
    No fim da minha rua ja era o zoologico da cidade.
    Amor Varginha e tudo que vivi nesta cidade maravilhosa.

  • 12 JOSÉ ALOISIO PAIONE // out 18, 2010 at 8:40 PM

    Pelo que sei TEÓFILO BENEDITO OTONNI foi meu colega da ESCOLA DE MINAS DE OURO PRETO onde formou na turma de 1882.Nasceu na cidade de Teófilo Otoni em 1861. Foi engenheiro do Estado de Minas Gerais onde exerceu vários cargos importantes,inclusive, Deputado Federal de 1900 a 1903.Era Engenheiro de Minas e sua turma tinha ainda:ANTONIO OLINTO DOS SANTOS PIRES (1º Governador de Minas) e FRANCISCO SÁ(Ministro de vários governos), além de outros brilhantes mineiros.Esta é minha colaboração.

  • 13 katiany produtora.... // out 9, 2010 at 5:47 PM

    parabéns varginha………………

  • 14 mani vida loka // out 8, 2010 at 9:04 PM

    pra que um texto tão grande desse bobeira!!!
    resume apenas em dizer Varginha eu te amo!!!!

  • 15 Chacal // out 8, 2010 at 8:26 PM

    Parabéns varginha, pelos buracos, violência trafico de drogas,falta de emprego, etc etc etc etc etc, parabéns aos otários que votaram no Corujinha…….

  • 16 Professora // out 8, 2010 at 3:54 PM

    Madeira, parabéns pelo texto belíssimo. Excelente! Entretanto, uma pena que o Luiz postou um comentário político em uma matéria séria como essa. Reflexos do desespero dos nossos políticos e seus assessores, que disputam cargos públicos sem pudor e utilizando todas as ferramentas disponíveis. Até fazer panfletagem partidária em uma matéria histórica.
    Dou uma sugestão: por que você não coloca este texto no topo do Blog, como fonte de consulta para alunos de Varginha?
    Um abraço!

  • 17 Diego Gazola // out 8, 2010 at 12:22 PM

    Parabéns pelo texto (seu Madeira?) faltou assinar. Bela síntese.

  • 18 alessandro // out 8, 2010 at 1:28 AM

    Parabens pra nós, varginhenses! Nós somos a alma desta cidade que é orgulho nacional. Claro que muito há que se fazer para tornar essa cidade uma verdadeira “princesa do sul”, como é conhecida, mas temos que reconhecer que trata-se de uma bela cidade, haja vista ser um municipio interiorano.

  • 19 luiz // out 8, 2010 at 12:33 AM

    olha que quer ser presidente do brasil .

    Os porões da privataria

    Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do país, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três dos seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, tem o que explicar ao Brasil.

    Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marín Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marín. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como (Marin) é conhecido, precisa explicar onde obteve US$ 3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil …

    Atrás da máxima “Siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

    A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista – nomeado quando Serra era secretário de planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$ 448 milhões (1) para irrisórios R$ 4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC.

    (Ricardo Sergio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m… “, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)
    Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

    O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$ 3,2 milhões no exterior através da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova York. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

    A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$ 17 mil (3 de outubro de 2001) até US$ 375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$ 1,5 milhão.

    O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$ 404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, através de contas no exterior, US$ 20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

    O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, entre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

    Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do país para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

    Financiada pelo banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$ 5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$ 10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas tem o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

    Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$ 7,5 milhões em ações da Superbird. com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A…Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

    De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante o Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no país. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia através de sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no país.

    Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações — que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade” conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” — foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e as contas sigilosas da América Central ainda nos anos 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

    Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$ 410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

    (1)A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$ 140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,2 por um dólar.
    (2)As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

    (*) PiG: Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

  • 20 eduardo ottoni // out 7, 2010 at 8:26 PM

    Abraço com muita amizade e muito respeito todas e todos varginhenses, que aqui nasceram e/ou aqui escolheram para residir e trabalhar. Cheguei em Varginha, ainda criança, com 09 anos de idade, vindo de Baependi. Aqui estudei e aqui me fixei, tendo intensa participação na vida da cidade, desde a liderança do movimento estudantil (1963 em diante), criação de sindicatos e de faculdades. En 1970 colei grau pela FADIVA, casei-me e me elegi VEREADOR (naquele tempo não tinha qualquer remuneração). Reeleito Vereador em 1972, Presidente da Câmara em 1975 e eleito PREFEITO MUNICIPAL em 1976 – Varginha tinha 96 anos, quando assumi a Prefeitura em 31 de janeiro de 1977 . Sucedi ao Prefeito Aloysio Ribeiro de Almeida, dando sequência a muitas boas coisas que ele vinha fazendo e inovando em tantas outras, implementando
    iniciativas, obras e serviços que projetaram ainda mais a nossa cidade como um bom lugar para se investir e viver. Dentre muitas obras, vou aqui destacar, com muito orgulho, a implantação do Conjunto Habitacional Pinheiro – BAIRRO PINHEIROS, com 500 casas. No dia 07/outubro/1977 , apenas a 9 meses à frente da Prefeitura, lançamos a pedra fundamental e iniciamos a construção desse bairro. Tempos bons, em que com determinação e muito idealismo pudemos, com uma equipe de pessoas destemidas e determinadas, pudemos dar a nossa contribuição à nossa cidade e ao seu povo. Fica esse registro e, mais, que o decreto governamental que elevou Varginha à categoria de Município – 7/10/1822 – foi firmado pelo entãop GOVERNADOR DA PROVINCIA DE MINAS TEÓPHILO BENEDITO OTTONI meu tio-avô.- 100 anos após esse ato estava aqui um seu descendente como PREFEITO MUNICIPAL … VARGINHA EU TE AMO, TE AMO DEMAIS …Que o DIVINO ESPIRITO SANTO, nosso padroeiro, ILUMINE NOSSAS AUTORIDADES E NOSSO POVO para que cuidem bem dessa cidade que é a nossa CASA.

  • 21 eduardo ottoni // out 7, 2010 at 8:23 PM

    Abraço com muita amizade e muito respeito todas e todos varginhenses, que aqui nasceram e/ou aqui escolheram para residir e trabalhar. Cheguei em Varginha, ainda criança, com 09 anos de idade, vindo de Baependi. Aqui estudei e aqui me fixei, tendo intensa participação na vida da cidade, desde a liderança do movimento estudantil (1963 em diante), criação de sindicatos e de faculdades. En 1970 colei grau pela FADIVA, casei-me e me elegi VEREADOR (naquele tempo não tinha qualquer remuneração). Reeleito Vereador em 1972, Presidente da Câmara em 1975 e eleito PREFEITO MUNICIPAL em 1976 – Varginha tinha 96 anos, quando assumi a Prefeitura em 31 de janeiro de 1977 . Sucedi ao Prefeito Aloysio Ribeiro de Almeida, dando sequência a muitas boas coisas que ele vinha fazendo e inovando em tantas outras, implementando
    iniciativas, obras e serviços que projetaram ainda mais a nossa cidade como um bom lugar para se investir e viver. Dentre muitas obras, vou aqui destacar, com muito orgulho, a implantação do Conjunto Habitacional Pinheiro – BAIRRO PINHEIROS, com 500 casas. No dia 07/outubro/1977 , apenas a 9 meses à frente da Prefeitura, lançamos a pedra fundamental e iniciamos a construção desse bairro. Tempos bons, em que com determinação e muito idealismo pudemos, com uma equipe de pessoas destemidas e determinadas, pudemos dar a nossa contribuição à nossa cidade e ao seu povo. Fica esse registro e, mais, que o decreto governamental que elevou Varginha à categoria de Município – 7/10/1822 – foi firmado pelo entãop GOVERNADOR DA PROVINCIA DE MINAS TEÓPHILO BENEDITO OTTONI meu tio-avô.- 100 anos após esse ato estava aqui um seu descendente como PREFEITO MUNICIPAL … VARGINHA EU TE AMO, TE AMO DEMAIS …Que o DIVINO ESPIRITO SANTO, nosso padroeiro, ILUMINE NOSSAS AUTORIDADES E NOSSO POVO para que cuidem bem dessa cidade que é a nossa CASA.

    à categoria de município foi firmado pelo então Governador TEÓPHILO BENEDITO OTTONI, meu tio-avô.lançamentos a pedra fundamental desse Bairro e iniciamos a implantação dese Bairro. Constituimos a COOPERATIVA HABITACIONAL, conseguimos recurso junto ao Governo Federal e nascia aquele bairro

    guimos recurso junto ao INOCOP-CENTRAB (Brasília – BNH),

  • 22 Ticudo // out 7, 2010 at 7:44 PM

    “Na década de 70 inicia-se o processo moderno de industrialização da cidade, notadamente durante as administrações dos prefeitos Eduardo Ottoni e Aloysio Ribeiro de Almeida.”

    99% das empresas já vazaram de Varginha.
    Os 2 ex prefeitos foram meia boca!

  • 23 Gláucio // out 7, 2010 at 7:03 PM

    Parabéns pelo texto. Brilhante. Para nós que gostamos de Varginha, mas não somos varginhenses natos, consideramos como um presente dado a nós nesta data. Lado outro, há muito o que comemorar. Parabéns à nossa querida Princesa do Sul!

  • 24 !!!! // out 7, 2010 at 6:17 PM

    linda historia, falto fazer mençao que do ano 2002 pra cá Varginha vive a década das trevas

  • 25 IN OFF // out 7, 2010 at 1:52 PM

    Gostei de 1808…..até que em 20 de Janeiro de 1996 numa Segunda Feira… apareceu o ET!!!
    A partir desta data tudo mudou!!!!!
    Eu hein!!

  • 26 ET // out 7, 2010 at 12:55 PM

    Parabéns Varginha, quem sabe qualquer dia apareço por aí novamente !

  • 27 OLHO DO ET // out 7, 2010 at 12:05 PM

    Belo texto, PArabéns!!!

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