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OPINIÃO | Ainda a violência racial

julho 6th, 2020 · 3 Comentários

Por Vanilda Marques (*)

    Morrem anualmente pela violência mais pessoas do que o número registrado na guerra do Vietnã, 50 mil.  Em 2019, segundo o Atlas da Violência, o IPEA-Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas e FBSP- Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 180 homicídios/dia. Desse total, 75% eram negros e pardos. Aumentou 33% o número de  homicídios de negros em uma década.  Morrem 2,7 vezes mais negros que brancos.

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   João Pedro foi um deles. Assassinado , quando brincava com os primos dentro da casa dos tios, enquanto os pais trabalhavam. 70 marcas de balas foram encontradas na casa. Tinha 14 anos e muitos sonhos, assim como Guilherme, 15, numa madrugada de domingo, Evaldo, músico, o catador de recicláveis, Luciano, morto com 80 tiros. Os 9 militares do Exército responsáveis foram libertados pelo STM-Superior Tribunal Militar.  Foram mortos por terem pele escura.Sem contar o menino Miguel, em Recife, que caiu do nono andar, enquanto a mãe passeava com as cadelas da madame. Talvez Sari Corrêa Real não tenha colocado óbice no menino, que chamava pela mãe, e o deixou no elevador, depois de apertar o 9º andar.

   A filósofa da Unifesp, Djamila Ribeiro, citou em um de seus artigos, há poucos dias, pensamento de  Ângela Davis: não basta não ser racista, é necessário ser antirarracista.  É  um chamado à ação, à transcendência ao mero repúdio moral à discriminação. Qual nosso posicionamento diante disso? Causa-nos vergonha saber que Brasil e Estados Unidos estão entre os países mais racistas do mundo. O assassinato de George Floyd despertou essa questão lá, e as ruas americanas foram invadidas por protestos dias seguidos, com cartazes: Black lives matter -Vidas negras importam. Com nossa estatística alta de pretos mortos, não fomos às ruas protestar contra a barbárie cotidiana que vivenciamos.

    Vale  lembrar que temos uma dívida histórica com os negros, cuja escravatura foi abolida em 1888. Essa dívida decorre de nosso racismo estrutural, passados de geração a geração. Apesar de afirmarmos não sermos racistas, nossas raízes mostram o paradoxo de nossa fala. O discurso racista é difuso. Vem da educação familiar, corroborada na escola e perpetuada na vida social. Basta vermos o número de domésticas, garis, trabalhadores braçais negros, e a dificuldade de ascensão social, mesmo após  ensino  universitário, acompanhada de diferença salarial, muitas vezes gritante

    Assustadora a informação que, ano passado, foram registradas mais de 5.800 mortes por policiais. Em abril deste ano, a polícia matou 1 pessoa a  cada 4 horas  no Rio de Janeiro, a maioria jovens. Vidas ceifadas pela falta de preparo psicológico dos profissionais de segurança, além de salários irrisórios, que conduzem alguns à corrupção.

      Mas fator preponderante no aumento de mortes por policiais é atribuído ao chefe genocida da nação, eleito pregando uma nação armada. É público e notório seu ímpeto de violência. Sempre fazendo arminha com a mão, e o pior, pegando criança no colo e fazendo com as mãos dela posição de arma.

     Ao certificar-se de mais de 40 mil mortes por Covid 19, afirmou ser a morte destino de todos, com uma indiferença icebergana(  acho que acabo de inventar um neologismo para caracterizar a crueza e a frieza do pseudo- presidente). Ameaça constante as  instituições, contraria a Constituição que, certamente, por ele, deveria ser rasgada. Agora com a defesa de zerar impostos na importação de armamentos, com o filho da mesma índole, defende a instalação de indústrias bélicas no Brasil.

   Há tanto do que se cuidar neste país de tantas mazelas sociais, onde 104 milhões sequer têm acesso a esgoto tratado, desigualdades gritantes e um racismo estrutural de enrubescer os mais justos e éticos. Martin Luther King já dizia “o que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Aprendemos a voar como os pássaros,  a nadar como os peixes, mas não aprendemos a viver como irmãos.” E ele morreu assassinado, lutando para extirpar o racismo.

     Nossa branquitude é tão racista que, só depois dos acontecimentos e protestos americanos, resolvemos debater o racismo aqui, como bem lembra a professora  Djamila.  Como se nunca soubéssemos a dimensão de nosso racismo, nos introjetado  desde épocas remotas do descobrimento. Isso vale para a estratégia escancarada de eliminar os verdadeiros donos desta terra, os indígenas.

    Vejo que a forma com que o negro é tratado deixa transparecer que não saímos da Casa Grande e Senzala, apesar de sermos o último país do mundo a abolir a escravatura. Abolimos? Acho que não, visto não inserirmos os diferentes no tecido  social .

  É horrível fazermos  autoanálise de  nosso sentimento , com certa comiseração de nós mesmos, e até mea culpa a la Brasil, país do jeitinho, que, por vezes, nos faz questionar  de onde vem esse tal “jeitinho brasileiro”. A casta fascista ainda tem em mente que somos diferentes. Basta um leve olhar no establishment deste desgoverno. Triste Brasil! Está na hora de olharmos quem somos e pararmos de discriminar.  Afinal, somos todos negros, brancos, amarelos, partes do mesmo Cosmos.

(*) Jornalista, ambientalista e integrante do Movimento Internacional pela Paz e Não  Violência.

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Tags: Opinião

3 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Vanilda Marques Souza // jul 8, 2020 at 9:31 AM

    Júlio querido, não o conheço, mas deve ser imbuído de boas intenções. Nosso racismo é sub-reptício. Basta constatar nos níveis salariais, no estereótipo social dos negros, na dificuldade de ascensão social. Pesquise. Jesus o ilumine . Paz e bem.

  • 2 Eu não tenho culpa, votei nulo! // jul 7, 2020 at 10:06 AM

    TODOS POLÍTICOS SÃO FARINHA PODRE DO MESMO SACO!

  • 3 Julio // jul 7, 2020 at 8:25 AM

    A senhora está equivocada. Me aponte um só movimento racista que existe no Brasil. Uma cidade ou organização que propaga a divisão entre brancos e negros neste país. A senhora só repete jargões da esquerda: fascista, desgoverno, racismo. Vá procurar o que fazer senhora. O lula roubou trilhões desse país para financiar o regime que mais matou gente na história. Ele colocou nossas crianças nos últimos lugares dos testes de educação. Agora que apareceu um homem honesto pra salvar esse país da destruição comunista, vem uma analfabeta funcional igual você falar mal do presidente, pegando carona neste tema da agenda marxista. Vá trabalhar.

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