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Quarta-feira de cinzas! Um espetáculo à parte

fevereiro 24th, 2020 · 4 Comentários

Histórias que ninguém contou: por Jotabê “Tatu” (*)

Chegada do trem de ferro na Estação Ferroviária, fogos de artifícios no Alto do Tide, Carnaval de Rua, passagem da Marcionita desfilando nas ruas da cidade fazendo propaganda das Casas Maracanã e a soltura dos presos nas quartas de cinzas, sem duvida eram os atrativos do varginhense.

Bons tempos aqueles hem? Vocês se lembram da Praça João Gonzaga, nas quartas-feiras de cinzas? Era um dia especial para os moradores da cidade. O local ficava repleto de pessoas que aguardavam a soltura dos arruaceiros que aprontavam no carnaval, e levados para o xilindró. Por volta das onze, os melhores lugares já eram tomados por espectadores. Tinha ano, que num clássico entre Flamengo x Atlético de Três Corações na Rua Paraná, tinha menos gente que na Praça João Gonzaga. Quando ia aproximando o meio dia então? Tinha pessoa que disputava à tapa um lugar privilegiado. Principalmente em um carnaval de 1970.

Naquela quarta, entre os presos, estava um figurão que todos queriam ver. Ninguém poderia acreditar que Georgentino estivesse lá, no meio dos presos.

Todo cidadão que errava a mão no período carnavalesco brigando, fazendo arruaça e perturbando a ordem, ganhava uma carona na “Rita Pavone”, apelido da Rádio Patrulha da época. A Lei determinava que todo aquele infrator, só teria liberdade prisional, após o meio dia da Quarta-feira de Cinzas. Era um espetáculo à parte. Alguns presos saiam cabisbaixos, escondendo o rosto. Outros nem tanto. Tinham aqueles que já eram figurinhas carimbadas, que sempre estavam no meio todo ano.

Mas em um carnaval de 1970, estava entre eles: Georgentino Falastrão. Gostava de passar sermão em alguém que bebia, fumava, brigava e fazia arruaça. Era intragável. Moralista e chato até demais. Toda vez que uma pessoa deixava as celas da cadeia por qualquer delito, lá estava ele azucrinando o coitado. Aqueles que eram presos pela primeira vez, aguentavam quietos com medo de voltar ao xadrez. Só que ele, jamais esperava que um dia, chegaria sua vez e, justamente no carnaval.

Num sábado lá pros lados da rodoviária antiga, surgiu um quebra pau generalizado. Não se sabe por qual motivo a briga começou. Parece que houve um desentendimento com o dono de bar. Por ali estava Georgentino tentando apaziguar. Na tentativa, levou um safanão e revidou. Daí o bicho pegou de vez. Cadeiras, copos e garrafas voaram por todo lado. Naquele dia a “Rita Pavone” desceu lotada.

Na segunda-feira, o Jornal Varginha em Foco deu a notícia de quem havia sido preso no final de semana. O nome de Georgentino foi anunciado. A noticia provocou um corre-corre tremendo. Ninguém queria perder o espetáculo de ver Falastrão deixar a cadeia. Quando foi libertado, levou uma verdadeira vaia dos espectadores. Centenas deles.

Sumiu da cidade. Só depois de muito tempo apareceu por aqui com aquela cara lavada e de visual novo.

*Varginhense, 67 anos. Colecionador de fatos engraçados e curiosos. Jornalista, radialista, narrador e comentarista esportivo.

Tags: Memórias de Varginha

4 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Nelson F.Silva // mar 3, 2020 at 8:09 PM

    Show de bola Tatu! Eu não presenciei, mas é sempre bom saber um pouquinho de nossa história! Parabéns!😉

  • 2 Varginha antiga // fev 25, 2020 at 1:15 PM

    Parabéns pelo excelente texto, meu prezado amigo Jota Bê Tatu da Rádio.
    Muitos vão recordar dos ocorridos nos antigos carnavais de Varginha.

  • 3 Pierrot Apaixonado // fev 25, 2020 at 12:51 PM

    O carnaval é uma festa pagã… comemorada até hoje.,.. É quando as realidades diárias de cada ser humano, representadas por um colombino vem à tona, e a colombina representa a diva imaginaria que torna a ele ( colombino) o dia a dia menos penoso e dá lento ao infeliz em continuar representando seu papel (imaginário) de um colombino no palco da vida fazendo micagens e tentando conquistar sua deusa imaginaria… e no final, na 4ª. Feira, tudo vai se acabar e retornar à realidade do dia a dia de cada um infeliz colombino…
    Como diz a letra…e no final, tudo vai se acabar na 4ª. Feira…

  • 4 Lydia Maria Braga Foresti // fev 24, 2020 at 3:37 PM

    Parabéns Tatu .O relato resgata ricas curiosidades da nossa Varginha. Lembro_me da boneca Marciana, do famoso carro Rita Pavone e da soltura dos presos na Quarta_feira de cinzas. Valeu Madeira !!!!

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