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A varginhense que desafiou a justiça para defender o voto feminino

fevereiro 24th, 2020 · 4 Comentários

Olha que legal esta história (que o ignorante aqui desconhecia até então e me foi contada pelo jornalista-irmão Thiago Rodrigues): uma varginhense foi a primeira mulher no país a exercer, plenamente, os seus direitos políticos: o de votar e o de ser votada.

Mietta Santiago Maria Ernestina Carneiro Santiago Manso Pereira era o nome completo de Mietta Santiago.

Nascida em Varginha, em 1903, ela estudou advocacia em Belo Horizonte e na Europa, onde teve contato com as ideias do movimento sufragista.

Quando voltou ao Brasil percebeu que a Constituição Brasileira de 1928 não vetava o voto feminino. O Artigo 70 da Constituição então vigente dizia, sem discriminação de gênero: “São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei”.

Ela entrou com um mandado de segurança e, de forma inédita, conseguiu o direito de votar e concorrer ao cargo de deputada federal.

A coragem de Mietta inspirou Carlos Drummond de Andrade no seu poema ‘Mulher Eleitora’: “Mietta Santiago, loura poeta bacharel conquista, por sentença de juiz, direito de votar e ser votada…”.

O fato teve grande repercussão em todo o Brasil.

Embora ela não tenha conseguido se eleger, o que teria sido um grande feito para a época, o Partido Republicano do Rio Grande do Norte aproveitou-se da brecha aberta por Mietta Santiago para lançar a candidatura da potiguar Luiza Alzira Soriano Teixeira, que se tornaria a primeira mulher a ser eleita para um mandato político no Brasil, como prefeita do município de Lages.

Como escritora, publicou as obras Namorada da Deus (1936), Maria Ausência (novela, 1940), Uma consciência unitária para a humanidade (1981), As 7 poesias (1981). Mietta faleceu em 1995.

Medalha Mietta Santiago. A Câmara dos Deputados criou a Medalha Mietta Santiago, um diploma de menção honrosa concedido pela Secretaria da Mulher e pela Presidência da Câmara da Câmara para reconhecer iniciativas relacionadas aos direitos das mulheres. A honraria é entregue no Dia da Mulher (8 de março).

Este ano serão homenageadas:

Ministra Rosa Weber – do Supremo Tribunal Federal a partir de 2011 e, desde 2018, exerce, ainda, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral – TSE, onde foi a primeira mulher aquela corte durante a realização de eleições federais e estaduais, em 2018, o que trouxe ao Tribunal um olhar afirmativo sobre a participação da mulher na política.

Luciana Lóssio é uma jurista brasileira, ex-ministra do TSE, onde desempenhou um papel de liderança, encaminhando soluções para o problema da sub-representação da mulher na política. A atuação de Luciana Lóssio, como advogada e ex-ministra, foi de fundamental importância para a decisão do TSE relativa à reserva de 30% dos recursos do Fundo Partidário e 30% do Fundo Eleitoral para financiar as candidaturas de mulheres nas eleições de 2018.

Mara Cristina Gabrilli é publicitária, psicóloga e senadora por São Paulo. Depois de sofrer um acidente de automóvel em 1994, que a deixou impossibilitada de movimentar-se, fundou, em 1997, o Instituto Mara Gabrilli, entidade que fomenta projetos esportivos e culturais e pesquisas científicas e que presta atendimento em comunidades carentes de São Paulo e outras capitais, como o projeto “Cadê Você?”, que localiza pessoas com deficiência e oferece recursos para melhorar sua qualidade de vida. Em 2018, foi eleita para integrar o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência, na Organização das Nações Unidas. É a primeira pessoa de nacionalidade brasileira a integrar o Comitê.

Telma Maria de Menezes Toledo Florêncio é professora e pesquisadora vinculada à Universidade Federal de Alagoas. Tem se destacado por seu trabalho no combate à desnutrição, sobretudo junto a crianças carentes. Idealizadora do Centro de Recuperação e Educação Nutricional – CREN, em 2004 e fundadora da Associação de Combate à Desnutrição – NUTRIR, em 2013, atua em comunidades de elevada vulnerabilidade social para melhorar a saúde de crianças carentes..

Lúcia Maria Teixeira é Diretora Presidente da Universidade Santa Cecilia. Professora e pesquisadora da área de educação, e escritora com diversas obras publicadas, de trabalhos de cunho acadêmico até livros infantis. Suas pesquisas na área da educação tornaram-se referências para a elaboração de políticas públicas, inclusive o Plano Nacional de Educação. Lucia Teixeira foi eleita para o Instituto Histórico e Geográfico de Santos e para a Academia Santista de Letras, ambas em 1989

Tags: Memórias de Varginha

4 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Maria GM // fev 25, 2020 at 9:33 AM

    Alaine, pensei o mesmo.

  • 2 Alaine Lopes // fev 25, 2020 at 8:36 AM

    Será que agora as autoridades competentes de Varginha vão prestar a devida homenagem a esta ilustre varginhense que marcou muito na história de Varginha e do Brasil dando seu nome em uma rua ou avenida? Mais do que merecida. Dra: Mietta nos perdoe pela falta de conhecimento.

  • 3 Sebastião Edino de Jesus // fev 24, 2020 at 12:07 PM

    Nunca aqui em VARGINHA nos contaram esta história.
    Confesso que não sabia de tal fato.

    Memorável. Câmara Municipal de VARGINHA deveria fazer menção a essa mulher.

  • 4 Lydia María Braga Foresti // fev 24, 2020 at 10:33 AM

    Eu também não conhecia a história da varginhense Mietta Santiago. Senti_ me profundamente gratificada com o que hoje aprendi.

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