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Futebol em Madureira

janeiro 30th, 2020 · Sem comentários

Escrito por José Fernando Campos
Membro da Academia Varginhense de Letras, Artes e Ciências


Recordo-me de que durante a década de 40, eu (12 a) acompanhava diversos torcedores de modo a assistir , de maneira clandestina, aos jogos de futebol no campo do Madureira, subúrbio da Zona Norte do Rio. Na oportunidade, o pessoal subia no alto muro que separava o estádio de um grande terreno baldio, bem arborizado, propriedade particular.

E para galgar o “paredão” íngreme, a criatividade mandava cavar um tanto o reboco entre os tijolos onde se podiam inserir as pontas dos dedos das mãos e dos pés até atingir o alto.

Em dia de competições mais importantes, o muro ficava por demais concorrido, de modo que os retardatários só teriam como opção trepar nas árvores, algumas espécies de ramos espinhentos, de maneira a se conformarem e verem apenas metade do gramado, a partir do círculo central de onde era dada a saída para início das partidas.

Verdade é que havia certo risco de o muro desabar ante tanta gente, principalmente em ocasiões de clássicos em que os torcedores se agitavam nos lances mais sensacionais fazendo-o balançar perigosamente, já que não fora construído para servir de arquibancada. E o perigo era tal que as autoridades às vezes eram acionadas de sorte a fazer debandar o pessoal.

Todavia, os poucos policiais encontravam certa dificuldade na missão tendo em vista que os torcedores se achavam em pontos um tanto inacessíveis, bem lá no alto.

Cheguei a ter a alegria de ver o famoso atleta Heleno de Freitas, centro avante do Botafogo, que era meu time de coração, fazer belos gols de cabeça em bolas cruzadas na área. Hoje em dia acompanho futebol pela TV mas sem compromisso. Não tenho nenhum time para torcer, de modo a não dizerem que “virei a casaca”…

Por vezes, num chute mais forte do atleta em campo a bola vinha cair no terreno baldio, ocasião em que uns elementos “espertos” escondiam-na no mato, e o funcionário encarregado da recuperação não a encontrava; ela seria utilizada mais tarde para jogos de pelada da molecada.

Houve o caso de determinado policial que decidiu ser mais severo aproximando-se o mais perto possível, de modo agressivo, conseguindo abrir clareira em certo ponto, em meio às pessoas, fazendo com que eu e outros descêssemos rápido pondo-nos a correr. Enquanto procurava me safar da perseguição, o guarda emparelhou comigo dizendo que estava atrás do elemento atrevido “que xingara a mãe dele”… Retornei mas vi que perdi a minha vaga no muro, pois já se achava ocupada; ora bolas!

Tags: Entretenimento · Folha de Varginha

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