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Palco das ilusões insanas

maio 31st, 2019 · 1 Comentário

Vivemos uma corrida irrefreável, imutável e por isso nos desiludimos tanto. Somos incapazes de ter paz; estamos desencantados e sem ânimo ao percebermos que nada evoluímos por termos perdido a capacidade de olhar para dentro de nós mesmos e refletirmos profundamente até encontrarmos respostas para perguntas como: Será que me conheço? Até
onde podemos ir? Estamos contribuindo-nos caritativa, displicente ou indiferentemente?
Nossa cognição – enquanto simples mortais – é bem pequena, pois quanto mais aprendemos, mais descobrimos quão ignorantes somos.

De um modo geral, obedecemos à natureza física, orgânica e biológica, nos diferenciando pela capacidade de hospedar traumas e influências psicossomáticas adquiridas através das ignomínias, dos desejos frustrados e da qualidade da vida escolhida.
Conhecemos nossa verdadeira índole quando estamos em um labirinto, de olhos vendados e abrimos os grilhões das grades que prendem nosso “eu” incógnito, dando passagem ao verdadeiro animal primitivo, guardado nas profundezas insondáveis de nossa mente e que, via de regra, é bravio, destemperado, covarde; raramente uma fortaleza inexpugnável,
consciente e resignado de suas falhas.


Influenciados pela vontade de vencermos sempre, – sem a devida prudência, porém confiantes – esquecemo-nos de que nem tudo obedece aos nossos desejos, ainda mais quando enfrentamos máximas literatas do poder e do dinheiro, validadas por exegetas que as
consolidam cientes do oculto, sugerindo-nos que são, indubitavelmente, camarotes sobre areia movediça.

O avanço da tecnologia, embora importante, não é promissor e quase nunca virtuoso, mas espoliativo, degenerado, falso, hipócrita e alienador da rudeza dos ignotos, sugestionando conceitos e preconceitos em função da contaminante indolência dos usuários que desprezam o exercício do pensamento lógico e próprio, descartando no lixo presentes valiosos diante da fealdade de sua embalagem.

Nós não estamos preparados para a união de esforços a favor do todo em detrimento da nossa cota parte. Nada de perder, queremos ganhar a qualquer custo, principalmente os abastados e privilegiados pelo poder, os quais se engajam nas brechas do corporativismo insano, destruidor e nada empático para enxergar a disparidade de seus louros e a média dos excluídos do sistema. O ajuntamento de tesouros é efêmero, desnecessário; seu desfrute é curto. Não temos como levá-los após a derradeira hora do estado anímico.


Nas mídias sociais somos deuses, donos da verdade e até sábios, dependendo de quem escreve, lê ou apenas vê; tudo está nivelado a um contexto sacripanta destruidor à mercê de mãos que carregam gasolina e fósforo ao redor de um circo. Como é bom para a maioria ver este circo pegar fogo! Derreter imagens, ideias bem formatadas nos primórdios temporais do antigo reino de Pérgamo. Desprezando a importância do conteúdo sem nossas marcas, disparamos a metralhadora desajustada, acertando aleatoriamente quem estiver ao derredor dos insensatos, negligenciando grandezas vetoriais, o módulo, a direção, o sentido de um
vetor cuja escalada não se prende apenas ao físico e ao valor numérico; antagonismos dos feitos morais em que o raciocínio tinha prevalência ao que a visão proporcionava.

Eu, tu e, se sobrar, ele; se refestelados estivermos. Que venha o dilúvio. E daí vale o que
submergirmos juntos? Devemos raciocinar de forma mais isenta do ponto a que estamos do
vetor.

Com assuntos sérios não devemos ser pulhas tendenciosos e indiferentes às consequências do lapso temporal entre o alfa e o ômega. Que desperdício este mundo caótico, habitado por indivíduos cujo ego suplanta a razão e as emoções são efêmeras devido à nossa incompletude espiritual; marco zero para mentirmos para nós mesmos. Ocupemos o espaço da reflexão para nos contentarmos e agradecermos pelo que ainda temos antes que o ápice
das divergências leve a humanidade a uma hecatombe irreparável que obrigará os habitantes remanescentes a viver sem fronteiras e sob beligerância para conseguir o básico que necessitam para sobreviver.

Luiz Fernando Alfredo

Tags: Opinião

1 Resposta Até Agora ↓

  • 1 Carlos // maio 29, 2019 at 12:14 PM

    parabéns, ótimo texto, gostei muito.

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