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NÃO SOMOS MAIS OS MESMOS

fevereiro 2nd, 2016 · 1 Comentário

Por Janilton Gabriel de Souza (*)

Os tempos mudaram. A tecnologia nos ajudou a estabelecer parâmetros de relações mediados por exigências rápidas: fast food, elevadores, WhatsApp, sujeitos-chipados… Com isso, uma nova cobrança: a pressa para tudo fazer. Se Charles Chaplin ainda estivesse vivo e fosse atualizar seu filme “Tempos Modernos”, ao contrário do cenário em uma fábrica, haveria uma voz interna ordenando, acelere: aproveite a festa até o final, beba todas, coma tudo o que vir, conquiste, beije, transe… Mais e mais.
Outro imperativo moderno: Estar presente e ausente através das redes sociais, responder a um grupo, postar a foto do momento, entrar no perfil profissional do facebook e no fake (perfil anônimo), criado para não ser você. Diante disso, será que temos tempo para ouvir o outro, saborear a comida e desfrutar de nosso dinheiro? Ou queremos cada vez mais, sem conseguir usufruir quase nada? (clique no título para ler artigo completo)BlogEM-15
Se Chaplin rescrevesse “Tempos Modernos”, o filme continuaria sendo em preto e branco, não pela falta de recursos, mas para poder retratar a nossa época de aparências: viver tudo, um gozo desenfreado, e criar, ainda, inveja no outro. Nossa satisfação tornou-se chocha, sem graça, para nós, para se tornar encantadora aos olhos dos outros. Tornamo-nos dependentes do olhar e da inveja do outro para nos satisfazermos.
Como sujeitos-chipados, temos um chip no celular, com o qual “postamos” tudo o que fazemos. Sustentamos uma grandiosidade de um “SER”, o qual tudo pode e em tudo é maravilhoso. Mentimos em nossos resultados, compramos coisas que não usamos, com o dinheiro que ainda nem temos, só para sustentarmos aos outros e a nós mesmos que tudo podemos e conhecemos. Sofremos de um inchamento “egoico”, queremos nos diferenciar dos outros, mas não suportamos nos vermos distintos. Daí a moda de selfie de tudo que é jeito e de praticamente tudo que fazemos. Self, que significa “si mesmo”. Ficamos dependentes não de registrar os momentos, mas de assegurar que existimos em cada pose e sorriso forçado.
Corremos… somos cada vez mais apressados. Com isso comemos e sentimos o mesmo, mas ao final o que importa é fazemos uma selfie com a descrição: #éoquetemprahoje #encerrandoodia. Na busca de sermos maiorais, paradoxalmente, saboreamos o mesmo. Há pesquisas que correlacionam problemas psíquicos com a constância de selfies, isso não é difícil de acreditar, afinal a valoração da imagem tem seu preço. Encurtamos tudo, tentando excluir o próprio silêncio. Até as correntes tecnológicas retiraram os espaços, agora há o hashtag (#) e palavras emendadas: #sem-espaço-para-o-inusitado.
(*) Psicólogo e Psicanalista. Mestre em Psicologia (Psicanálise) pela Universidade Federal de São João Del-Rei, onde também contribuí como pesquisador. Especialista em Teoria Psicanalítica. Colaborador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira. Editor do site Janilton Psicólogo (www.janiltonpsicologo.com.br). Contato para atendimentos psicológicos (35) 3212 6663 / 99993 6663.

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