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Status – Namorando ou casado

junho 30th, 2013 · 2 Comentários

janilton_varginha_blog_do_madeiraJanilton Gabriel de Souza (*)

É cada vez mais comum vermos desfilar nas redes sociais, especialmente no facebook, demonstrações do status: solteiro, namorando ou casado. Tirando a problemática da exibição, que tratarei em outro artigo, gostaria de tomar a palavra status que, no dicionário Houaiss, é definida como: “situação, estado, qualidade ou circunstância de uma pessoa ou coisa em determinado momento; condição”. Essa definição nos mostra o panorama atual das relações amorosas. Será que foi só a terminologia, antes dita como estado civil, que se alterou? Ou existe algo mais, que se modificou no correr do tempo? Clique no título para ler o artigo.damasio
Há um historiador francês de quem gosto muito: Philippe Ariès. Esse autor demonstra que, antigamente, as relações entre homem e mulher eram regimentadas por uma lógica política e econômica. Assim, os casamentos que advinham visavam, essencialmente, a mantença do patrimônio. A união com vistas ao amor é algo que é novo, que nasce a partir do ideal iluminista. O surgimento do amor é contemporâneo ao nascimento da família nuclear burguesa. A ideia de amor sempre foi atrelada ao mito que o filosofo, Aristóteles, cria sobre as duas metades. Com base nela, todo ser humano estaria condenado, para se ver completo, a ter que encontrar sua alma gêmea. Pergunta a ao leitor: Você acredita em alma gêmea? (Deixe seu comentário aqui no Blog do Madeira).
Acredito que exista certa semelhança entre esse ideal de alma gêmea e as formas de organização que a sociedade estruturou em torno do casamento. As pessoas fantasiam a existência de uma alma que se encaixe com ela. Apesar da realidade das relações amorosas serem bem diferentes, não faltaram tentativas de forçar esse encontro ideal, ou ainda, a permanência nele. Basta verificar quantas pessoas não se mantinham casadas (claro, que muitas ainda se mantém) com vistas a ideia do para sempre ou para assegurar o patrimônio da família. Mais que isso, no passado, elas tinham que suportar um contrato que as impedia de se separarem. Era para sempre, mesmo que sob a força da moral e da lei.
Hoje, quem decide estar com outra pessoa pode também mudar sua ideia, mesmo que tenha se casado. O paralelo que gostaria de trazer é que, antigamente, existia uma estrutura que “garantia” a estabilidade do encontro, conjuntamente ao ideal fervoroso em torno da alma gêmea. Não só o ideal é questionável hoje, mas o próprio encontro carece de uma invenção. Para além do amor, se descobre que o desejo pode ser um novo guia. Assim, como um paciente (analisando) ao fim de seu tratamento precisa inventar um jeito de estar na vida, o mesmo movimento se aplica quando este vai para a relação amorosa: O sujeito precisa se reinventar para estar nela. Para isso, algo do ideal de completude tem que ser quebrado, restando lidar com a parcialidade das relações e, principalmente, com nossa própria condição de incompletos, só podendo se satisfazer parcialmente e nunca em plenitude. A partir daí, pode-se desistir de encontrar, sintomaticamente, o príncipe ou princesa que nos faria “felizes para sempre”. Mas, quem sabe em meio a esses encontros e desencontros da vida, se dar com alguém que se possa dividir alguns momentos. Bom… esse alguém não é todo, nem perfeito. Sabendo disso, de que modo é possível estar nessa relação? Pergunta para se fazer quando se deitar no divã!

*Psicólogo clínico atuante a partir da psicanálise, educador e pesquisador da UFSJ. Colaborador do Jornal Folha de Varginha e Blog do Madeira.

Tags: Geral

2 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Amarildo Serafim // jul 1, 2013 at 7:05 PM

    A.R. quem dera fosse simples como você supõe. Seu pensamento de tão simples e resumido chega se comparar com uma formula matemática, em que usando as regras certas não tem erro. Mas, Concordo o Janilton no texto, diga-se de passagem muito bem escrito. É uma contribuição importante a respeito do “status quo” dos relacionamentos modernos e ainda nos perguntarmos pra onde eles irão se para o castelo de amor ou para os pratos da balança da Justiça?

  • 2 A.R. // jul 1, 2013 at 11:08 AM

    Acho que a pessoa coloca e que der vontade no PRÓPRIO perfil, quem se incomodar é só não ir lá olhar.
    E cada um cuida do seu relacionamento, assim tudo funciona.

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