Blog do Madeira - Notícias de Varginha - MG

Notícias diárias de Varginha e Sul de Minas – [email protected]

A Utopia que eu queria

junho 9th, 2010 · 7 Comentários

Por Cacá Negretti (*)

caca_negretti

Sei que por enquanto seria utopia e nem sei se um dia veria. Mas sonho um processo eleitoral coerente e com o exercício do mandato transparente, diferente do que hoje acontece. Que atenda mais aos interesses dos eleitores do que dos candidatos. Que propicie mais eficiência e menos corrupção, golpes e enriquecimento ilícito. Que os eleitos sejam competentes e tenham verdadeira vocação para os cargos pleiteados. São algumas sugestões que fariam os eleitores questionarem e os atuais políticos protestarem. São elas:

– Ficha Limpa (bons antecedentes são pré-requisitos exigidos para que se exerça qualquer função em qualquer emprego. Básico e óbvio);

– Processo de seleção para candidatos à candidatos (já que exigem concurso até para lixeiro, me parece normal haver concurso e com nível respectivo de escolaridade, para se candidatar a um cargo público);

– Voto facultativo (para combater coronelismos e até para sermos mais democráticos. A conscientização da importância do voto seria ainda maior se fosse opcional);

– Fidelidade partidária (tendo por base que os partidos políticos se baseiam em ideologias e para que se desmonte “cartéis partidários”, onde vigora a infidelidade e o oportunismo, deveria haver no mínimo um prazo de 5 anos de desincompatibilização caso o político troque de partido. Sendo o político impedido de disputar nova eleição antes desse prazo);

– Mandatos de 5 anos para todo e qualquer cargo público eletivo (vereadores, prefeitos,d deputados, governadores, senadores, presidente) e proibida a reeleição subsequente;

– Fim de toda votação secreta em todos os níveis (municipal, estadual e federal). Transparência total, aberta em tempo real via internet para todo o país;

– Fim de todo foro privilegiado. Baseado no conceito de que ninguém é mais importante que ninguém, todos deveriam ser julgados pela justiça comum (civil). Seja ele político, militar, juiz, presidente, desembargador, religioso etc.;

– Fim da prerrogativa dos políticos votarem aumento dos seus próprios salários, verbas, extras, prêmios ou qualquer outro vencimento. Bom como jornadas de trabalho, feriados ou férias (para isso seriam criadas comissões compostas por pessoas gabaritadas, selecionadas previamente em todo território nacional, que ficariam de sobreaviso para que, aleatoriamente, por sorteio, sejam avisadas algumas horas antes de acontecer qualquer votação. Para que em plebiscito, via internet, votem cada item, cada questão);

– Fim das campanhas eleitorais bancadas pela iniciativa privada, com posterior loteamento de cargos. Cargos estes, aliás, que sejam ocupados sempre por funcionários de carreira, com comprovada competência e devidamente concursados para os cargos que ocupam;

– Que as campanhas eleitorais sejam bancadas igualitariamente com verba governamental;

– Fim das campanhas eleitorais ostensivas e desiguais. Independente do tamanho de cada partido, que o tempo de propaganda nos veículos de comunicação sejam feitas em horários alternados e repartidos de forma igualitárias. Porque uma vez que o político foi admitido como candidato e seguindo um ideal democrático, um não é mais importante que o outro;

– Faço ainda uma sugestão aos que forem exercer cargos de ministros da Educação e Saúde: com base na confiança no trabalho desenvolvido pelos mesmo, sugiro matricular seus filhos em escola pública e as respectivas famílias passem a utilizar o Sistema Único de Saúde, num exemplo de confiança e fé nos órgãos que eles mesmos administram. 

Sei que “ainda” seria utopia, mas acho que esses tópicos aqui abordados contribuiriam para questionamento e para uma mudança de foco, visando mais transparência, melhor desempenho e com menos corrupção. Fazendo do político um servidor. Uma profissão como outra qualquer, sem tanto poder e glamour.

(*) Cantor e compositor.

Tags: Colaboradores · Cultura · Política

7 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Wallace The Wall // jun 10, 2010 at 8:00 PM

    Parabéns, bom texto. Mas não nos esqueçamos que esta utopia não existe neste planeta, nem nos USA, na Europa, no Japão… O problema é do ser humano, não é exclusivo do brasileiro. Apesar de que, claro, aqui é descarado demais o descompromisso dos políticos…

  • 2 José Bráz de Oliveira // jun 10, 2010 at 1:57 PM

    Tambem assino embaixo. Ha! como eu queria que todos os eleitores fossem tambem utópicos e sonhassem que esta utopia é POSSIVEL.

  • 3 Antonio Belo Sobrinho // jun 10, 2010 at 1:48 PM

    Carlos Alberto Negretti Dias, ou simplesmente Caca Negretti… como eu já disse antes, o talento dos varginhenses estão aí na voz, violão, no texto, na arte, a classe política e empresarial local precisa corresponder a esta sonhada utopia que traduz nossos anseios.

  • 4 BAADER MEINHOF // jun 10, 2010 at 10:30 AM

    Rapaz, parabéns, de verdade…
    Infelizmente, são poucos os que pensam dessa forma neste país. Aliás, na verdade, são poucos os que pensam neste país…

  • 5 Marlon // jun 10, 2010 at 9:09 AM

    Madeira envia o excelente texto do Cacá para os políticos quem sabe eles não ficam com vergonha na cara? Ou esta é mais uma utopia?

  • 6 jorge marçal // jun 9, 2010 at 10:02 PM

    Cacá Negretti, meu amigo, vc resumiu tudo num único texto. Só alguém assim, como vc, com essa visão de brasileiro… ARTISTA …só posso dizer aqui de Mucuri PARABÉNS, PARABÉNS e PARABÉNS por esse magnifico texto que não deveria ser utopia, mas a realidade, pois assim, as coisas seriam muito mais fáceis e transparemnte. Assino embaixo, ipsis literis…
    AGORA UMA SUGESTÃO: põe música nesse texto, faça um rock como só vc sabe fazer, faça parceria com os amigos, mas ponha uma música nesse texto, cara!! Vai ficar demais…

  • 7 Professora // jun 9, 2010 at 8:18 PM

    Assino embaixo, Cacá. E, se me permite, aproveito para dar um “pitaco” na sua utopia. É no que se refere aos salários exorbitantes que, somados às inúmeras verbas e benefícios oneram o já tão combalido bolso do brasileiro. Que o cidadão, ao optar pela vida pública, também escolha viver como a grande maioria do povo que o elegeu.

Deixe um Comentário