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Diploma de jornalista

junho 21st, 2009 · 18 Comentários

A jornalista Estela Torres (Rádio Itatiaia) enviou um (belo) texto apaixonado pela profissão e a questão da exigência do diploma. Clique no título para ler.

Diploma de Jornalista. E o cotidiano?
 
 
O fim da obrigatoriedade para o diploma de jornalista é uma discussão que não tem fim. O único argumento dos Ministros do STF é de que qualquer um pode escrever uma reportagem.
 
Depende!
 
Um advogado que souber escrever popularmente poderá fazer uma reportagem sobre Direitos tão boa quanto a minha. Não melhor!
 
Um médico que souber escrever popularmente poderá fazer uma reportagem sobre saúde (ou doença) tão boa quanto a minha. Não melhor!
 
Mas estas hipóteses lembram apenas reportagens específicas, especiais. A minha preocupação é com o jornalismo diário.
 
Quem vai passar a madrugada numa delegacia, anotando ocorrências e entrevistando vítimas e autores?
 
Quem saberá identificar um personagem no meio da multidão, aquela pessoa com uma boa história pra contar?
 
Quem toparia enfiar o pé na água de uma enchente pra mostrar o drama dos desabrigados?
 
Quem conseguiria mostrar a beleza dos resultados de trabalhos sociais?
 
Quem conseguiria enfrentar o perigo de um tiroteio pra mostrar como vivem os moradores acuados pelo tráfico?
 
Quem conseguiria mostrar em palavras e imagens a felicidade de frações de segundo em um grito de gol?
 
Quem toparia passar o carnaval sem poder dar uma sambadinha na avenida, mas anotando e publicando cada movimento da passista, cada batida do tambor?
 
Quem toparia passar a noite de Natal entre crianças carentes que não ganham presentes? Ou entre aquelas que ganham?
 
Qualquer um?
 
E quem vai para a zona de guerra e consegue narrar até a queda de bombas e a morte de soldados e civis?
 
Qualquer um?
 
Se a faculdade não ensina a ter ética, no mínimo ensina a formatar um texto com linguagem popular. Ou alguém tem paciência para ler um texto jurídico inteirinho? O jornalista tem. E ainda o transforma em linguagem popular, acessível a todo o público.
 
Imagine a cena: O dono de um jornal contrata uma pessoa que jamais trabalhou com jornalismo nem fez faculdade. Na correria do cotidiano da profissão, quem vai ficar traduzindo para ele expressões como “repassa o off”, “formate o lead”, “cheque o release” , “retranca da fita”, “me dá o espelho!” “Não, eu não quero me olhar, quero o espelho do jornal!”
 
A faculdade dá o mínimo de noção sobre a rotina de uma redação e o novato não será um estorvo para os colegas, podendo realmente ajudar na produção desde o primeiro dia. Mas quem não passou pela faculdade, vai mais atrapalhar do que ajudar.
 
E deixe os médicos, advogados, economistas, que gostam de atuar no jornalismo, trabalhando em seus gabinetes refrigerados, falando e escrevendo exclusivamente sobre o que seus respectivos diplomas os capacitaram.
 
Redação é lugar pra jornalista – com diploma!
 
Estela Torres
Jornalista.

Tags: Cultura · Economia

18 Respostas Até Agora ↓

  • 1 e-LEITOR // jul 15, 2009 at 8:56 PM

    Lição : Estudante de Direito, que não passar na OAB então pode ser Jornalista.
    Ora, veja esta prova do exame da ordem que é mais um negócio. O MEC não faz nada, as Faculdades não se manifestam e a OAB subroga nos Direitos de todos. Caro Estudante, sou a favor de prova sim, mas não esta palhaçada. Onde as regras do jogo não são éticas.
    O STF não pode fazer isto com os Jornalistas e a Estelinha, bem explicou que convive bem com os não-diplomados, mas tirar a necessidade do Curso é uma desvalorização que a profissão não merecia. Parece até algo tipo revanchismo. Mas do “Gilmar Dantas” se espera tudo.

  • 2 VARGINHENSE DE VERDADE. // jul 15, 2009 at 11:38 AM

    Continuando, imagine bem que exemplo o STF esta dando para o nosso Pais. É BRINCADEIRA.

  • 3 VARGINHENSE DE VERDADE. // jul 15, 2009 at 11:37 AM

    Assim como o Governo Federal, Estadual e Municipal, como também o Senado Federal e as Câmaras Estaduais e Federais, o STF não é diferente não, só fazem #agadas mais nada. Pois o STF um dia deste estavam brigando entre eles, imagine bem q

  • 4 VASCO VASCONCELOS - ANALIST E ESCRITOR - BRASÍLIA-DF // jul 15, 2009 at 2:12 AM

    Brasília,14 de julho de 2009

    Em defesa dos jornalistas e dos bacharéis em direito
    ————————————-
    VASCO VASCONCELOS

    Segundo Edmund Burke: “Quanto maior o poder mais perigoso é o abuso.”Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”. Foi muito infeliz a decisão de o egrégio STF, derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, numa afronta ao art. 205 CF. “ A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 43. da LDB – Lei 9.394/96 ‘a educação superior tem por finalidade (…); inciso 2 – formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais. Jogou pro espaço os sonhos de milhares de jornalistas e de estudantes, que sacrificaram suas famílias, pagando altas mensalidades, e de opino viram os seus sonhos transformar em pesadelos. Porém em pior situação se encontram cerca de quatro milhões de bacharéis em direito, devidamente diplomados, qualificados por universidades reconhecidas e fiscalizadas pelo MEC, que estão impedidos de exercer a sua profissão por um órgão fiscalizador da profissão, num flagrante desrespeito, à Constituição. A OAB está usurpando prerrogativas do MEC, para impor o seu pecaminoso, inconstitucional e famigerado exame da OAB, feito para reprovação em massa e enriquecer donos de cursinhos, não obstante cobrando altas taxas de inscrições R$ 150,00 superiores às da taxas de inscrições de Juiz do Trabalho da 14ª Região (Rondônia e Acre) que são apenas R$ 100,00, lembrando que o salário de Juiz gira em torno de R$ 19,9 mil. Se¬ria de me¬lhor al¬vi¬tre o pre¬si¬den¬te Lu¬la, antecipando futura decisão do STF, ex¬tin¬guir es¬sa ex¬cres¬cên¬cia, do nosso ordenamento jurídico, sub¬sti¬tuin¬do por Prá¬ti¬cas Ju¬rí¬di¬cas e Es¬tá¬gio Supervisionado de um ano, ha¬ja vis¬ta que o mer¬ca¬do com¬pe¬ti¬ti¬vo sa¬be mui¬to bem ava¬li¬ar os bons ad¬vo¬ga¬dos e a OAB tem po¬de¬res pa¬ra ad¬ver¬tir e até ex¬pul-sar dos seus qua¬dros os maus ad¬vo¬ga¬dos de con¬for¬mi¬da¬de com o dis¬pos¬to no ar¬ti¬go 35 da Lei nº8.906/94 (Es¬ta¬tu¬to da OAB).
    Lembro que os maiores juristas deste país, como Ruy Barbosa, Tércio Lins e Silva, Evandro Lins e Silva, Délio Lins e Silva, Sobral Pinto, Pinheiro Neto, Márcio Thomás Bastos, Afonso Arinos, Seabra Fagundes, Raymundo Faoro, Rubens Approbato, Maurício Correa,Evaristo de Macedo,José Paulo Cavalcanti Filho, não precisaram fazer o abominável exame da OAB, para se tornarem famosos.
    Presidente Lula, acabe de vez com essa excrescência do exame da ordem.

    VASCO VASCONCELOS
    Analista e Escritor
    BRASÍLIA-DF

  • 5 Estudante de direito // jun 23, 2009 at 2:27 PM

    E-Leitor, sinceramente, bacharel de direito que não consegue passar nem na prova da OAB não tem que trabalhar como advogado mesmo. Voce só acertou no ponto de que são dois pesos e duas medidas, e são mesmo. Ora, duas profissões diferentes, advogado e jornalista, devem SIM receber tratamentos diferentes. A prova da OAB vem no sentido de garantir o direito constitucional a ampla defesa, que envolve defesa técnica, ou seja, o defensor deve estar devidamente habilitado. Bacharel que não passou na prova da OAB não está habilitado a garantir defesa técnica adequada, logo, não deve ter direito a advogar.

  • 6 Frei Kaneka // jun 23, 2009 at 2:01 PM

    Pelo andar a carruagem os próximos serão os advogados.
    Afinal se a constituição diz que todos devem conhecer a lei e respeita-la.
    Para quê advogados?
    E aí em não tendo mais obrigatoriedade de se estudar uma faculdade de direito.
    Pergunta-se para que o STF?
    A partir de então estaremos entrando definitivamente na democracia plena. Onde o povo vai ocupar cargos sem necessidade de perder tempo em ir assistir aulas,sejam de que tipo de curso superior for .Estudar astronomia na faculdade,bobagem isso não ti pertence mais, anatomia dos médicos, bobagem, trigonometria, nunca ouvi,não comi su só ouço falar. E assim caminha a humanidade,digo a brasileira.
    Já disse por aí um certo senhor que não precisa falar inglês para conhecer o mundo, afinal lhes bancam os intérpretes.
    A, agora sim , entenderam : não preciso saber fazer nada, desde que eu possa pagar para outro fazer. Viva os esforçados que fizeram a duras penas suas faculdades. A decisão do supremo, vem provar que somente o conhecimento cientifico muda e constrói um país, aqueles que nâo estudaram,podem até fazer uma matéria ou outra, escrever algumas crônicas,poesias,falar do resultado do jogo do corintias,etc,etc. Mas no mundo inteiro as grandes matérias que transformam a humanidade nasceram daqueles corajosos e estudiosos da arte jornalistica, que fizeram de seu conhecimento um bem imaterial capaz de mudar a vida dos outros.
    Portanto,fica decretado que VALE A PENA ESTUDAR E SER JORNALISTA.
    VALE A PENA SIM, SER DIFERENTE E CAPAZ.
    REVOGAM-SE AS DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO.

  • 7 Estela Torres // jun 23, 2009 at 11:43 AM

    Olá, pessoal, nada melhor que um bate papo com nível elevado como este!
    Quero fazer mais umas colocações: Jamais defendi que não diplomados deveriam ser banidos das redações. Trabalhei com vários não diplomados que são perfeitos, mas a faculdade os tornaria melhores ainda. Estudar nunca é demais.
    Neste período em que o diploma foi obrigatório, muitos veículos de comunicação contrataram não diplomados. Registravam como comentaristas, consultores, apresentadores, etc, e eles faziam o trabalho normal nas redações. Se continuasse assim, tudo bem! A convivência sempre foi muito pacífica. Ou seja, o diploma nunca foi verdadeiramente obrigatório! O que não dá pra aceitar é que ministros acabem com o orgulho e a felicidade de se alcançar um diploma universitário. Fazer faculdade não é nada fácil, principalmente do ponto de vista financeiro, e de repente vem o stf dizendo que meu diploma não vale nada! É muito decepcionante!

  • 8 Dr. Simplicio // jun 23, 2009 at 12:27 AM

    Sem dúvida um jornalista devidamente diplomado tem o seu lugar…
    para exemplificar há muitas pessoas que até dirigem bem, mas se não tiver carteira… simplesmente não podem dirigir…
    Trata-se de um exemplo simples, mas que tem tudo a ver, guardadas as devidas singularidades de cada caso…

  • 9 e-LEITOR // jun 22, 2009 at 6:56 PM

    2 pesos e 2 medidas. Tem um montão de bacharéis em direito que não conseguem trabalhar. Tem projeto de lei para acabar com a indústria de cursinhos e de provas da OAB. Porque então fazer isto com os profissionais do Jornalismo. Estela, segura as críticas firme aí, pois eu acredito muito que os Jornalistas tem direito tão iguais aos advogados. Esse país não é mesmo sério, esta é que a verdade.

  • 10 Marcelo // jun 22, 2009 at 3:45 PM

    Puro corporativismo

  • 11 Assessor // jun 22, 2009 at 2:43 PM

    Cara Jornalista Estela Torres, interessante seu desabafo, mas creio que se um advogado escrever sobre direitos, ele VAI escrever melhor que você, é a área dele. Se um médico fizer uma reportagem sobre saúde ou doença, tenha certeza, será MELHOR que a sua, é a área dele. Tomamos como exemplo pratico a Globo, o MÉDICO Dráuzio Varella não tem diploma de jornalista, mas é um baita de um JORNALISTA NA ÁREA DELE. E assim são vários outros NÃO diplomados jornalistas, especialistas nas suas respectivas áreas, que amam o jornalismo e com muito conhecimento em sua área, dão um banho em jornalistas diplomados.

  • 12 Thibé // jun 22, 2009 at 1:11 AM

    Concordo contigo Mauro.

    Não se garante Estela Barros?
    O profissionalismo vai falar mais alto sim, direito de expressão para todos, isso sim você deveria falar!

    Não foi votado no senado para Jornalistas diplomados estão proibidos de trabalhar em redação, foi votado que o povo faz parte dessa liberdade de expreção e assim como nosso amigo Mauro disse, irá contribuir para a Imprensa.

    Ter diploma não é siginificado de capacidade e muito menos de profissionalismo, se garantam aqueles jornalista como pessoas éticas e capaz o suficiente de ser PROFISSIONAL!

    A população tem o direito de se expressar, falar o que pensa, e cabe aquele que ler, ouvir ou interpretar, ser capaz de entender. O que vai fazer de uma empresa ter qualidade é profissionais de sucesso. Simplesmente dar destaque para aqueles que realmente merecem, profissionais ou não!

    Abraços a todos Jornalistas capacitados e que se destacam!!!

  • 13 marçal // jun 21, 2009 at 10:57 PM

    Olha Stella, esse seu gancho foi muito bom, pois reflete exatamente, em termos, o que eu salientei no comentário daquele dia. Por tudo isso aí, que foi dito acima, ainda assim não me convence – sinceramente – que deve ser fornecido a este indivíduo, um DIPLOMA de jornalista profissional, porque ele sabe o que é um lead ou se divulga ou não o off que captou. Essas “técnicas” a meu ver, na redação, devem ser apreendidas em escolas técnicas, nada mais. Se eles antes nós precisavamos apenas ter uma maquina de escrever, hoje temos a tecnologia. O que? onde? como? quando? porque? Este é o nosso abecedário. !!! Pra dar informação “formatada” é só ter um computador hoje. Um editor, por exemplo, não precisa ir ao Iraque para editar um texto “popular” sobre o dia da guerra naquele momento – principalmente se ele fica o dia quase todo lendo e lendo e lendo e lendo!! Conheço uma pessoa que “fez sua faculdadae” lendo até oito jornais por dia, como que lendo e aprendendo a escrever “jornalês”. Foi um excelente profissional sem diploma de jornalista. Aliás, gostaria de aproveitar e sugerir que os bloguistas assistam ao filme “O LEITOR”, além de tudo, sobre aprender – principalmente – a ler e a escrever. No mais, é dar espaço sim aos profissionais que dominam o idioma, e possuem técnicas para fazer com que oreceptor, capte a mensagem e seja devidamente informado, em Varginha, no Irã ou em Mucuri! Sem atos secretos!!!!

    PS – Ô Mauro, vc está certinho!!

  • 14 Mauro // jun 21, 2009 at 5:17 PM

    Mas peraí,

    Pelo texto, parece que os jornalistas não vão mais poder trabalhar nos jornais.

    Me parece que o que se discute é se quem não tem diploma também poderá fazê-lo, não?

    Penso que os “não-diplomados” estarão é contribuindo com a imprensa.

    Estou errado?

  • 15 MARIA G. M. // jun 21, 2009 at 4:32 PM

    Cara Estela, respeito o seu ponto de vista e sei que, mais do que ninguém acredita que nada irá mudar. Até mesmo aquele que tiver o dom da palavra, precisará capacitar-se para a profissão.
    A História demonstra que grandes escritores foram iniciados em jornais e assim foi por muito tempo. Há de convir, também, que o diploma não faz um bom jornalista. É o conjunto de vários fatores: talento e vocação e, na vocação, está implícita a capacitação que deve ser buscada mesmo depois de formado.

  • 16 Diego Braga // jun 21, 2009 at 3:35 PM

    Estela parabéns! Retratou o nosso sentimento perfeitamente.

    Realmente estes oito “boca-abertas” estão preocupados com a quantidade e não com a qualidade.

    Lembrando que tal decisão contribuirá de forma negativa nos salários praticados aos jornalistas. O que já é baixo em relação a outras profissões.

    Paciência!

  • 17 Priscila Paiva // jun 21, 2009 at 2:25 PM

    Oito ministros, totalmente sem noção da realidade, ou muito bem comprados, definiram o destino de 80 mil jornalistas profissionais diplomados no Brasil… além de prejudicarem uma população de 180 milhões de brasileiros, que podem ficar sem informação qualificada.
    É um absurdo….

  • 18 Gabriel // jun 21, 2009 at 1:44 PM

    Texto mais ou menos.

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