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Memórias de Varginha: JK

setembro 7th, 2008 · 1 Comentário

jk.jpg Dos depoimentos do professor Afonso Paione, esse é um dos mais interessantes. Clique no título para ler. Era 10 de maio de 1964, dia das mães. Após o almoço de domingo a família toda estava reunida na casa de meus avós, Braz e Conceição Paione, comemorando a data. A casa era enorme, uma pequena chácara em plena rua Santa Cruz, no centro de Varginha. Os adultos conversavam na copa, bebendo café e saboreando os salgadinhos, caprichosamente preparados por minha avó.. Eu e meus primos brincávamos no hall de entrada onde havia um móvel repleto de revistas e jornais que adorávamos folhear.
De repente a campainha tocou. Naqueles tempos não se usava trancar portas de entrada com chave durante o dia porque todos eram bem-vindos. Ladrões quase não existiam. Imediatamente após o toque da campainha entraram alguns senhores de terno. Entre eles Juscelino Kubitschek.
Ele segurou minha prima Thereza Cristina no colo e perguntou: “Onde está o vovô?”
Juscelino já estava em campanha visando a presidência da república nas eleições de 1965. O avião que o conduzia passou sobre Varginha e ele resolveu fazer uma escala para visitar Braz Paione, antigo amigo e correligionário. Chamou um “carro de praça” ao campo de aviação e pediu ao motorista que o levasse à residência do Dr. Paione.
Imaginem o susto de meus familiares quando viram quem estava lá. Foi aquele tumulto. Minha bisavó levou JK até seu quarto e mostrou a ele a foto autografada que ilustra este artigo e que ela mantinha exposta em uma das paredes. A dedicatória da foto diz: “Ao caro Braz Paione cordialmente Juscelino Kubitscheck – Varginha 1º-10-53.
Meu tio Armindo ligou para a rádio Clube. Sampaio Moraes imediatamente colocou no ar uma edição extraordinária do “Varginha em Foco” informando a presença do ex-presidente Kubitschek em Varginha. Passados alguns minutos uma  multidão se formou em frente a casa da rua Santa Cruz.
Juscelino saiu acompanhado por meu avô e caminharam com o povo até o Bar Itália, abaixo do cine Rio Branco, onde atualmente funciona um cartório. Tomou um cafezinho, falou rapidamente despedindo-se de todos e embarcou  no carro de praça de volta ao campo de aviação de Varginha, de onde seguiu viagem.
Quase um mês depois, no dia 8 de junho de 1964 foi assinado o ato – divulgado dois dias depois – que cassava o mandato de Juscelino e suspendia seus direitos por dez anos.

(colaboração Professor Afonso Paione)

Tags: Memórias de Varginha

1 Resposta Até Agora ↓

  • 1 Waltinho Vilela // abr 12, 2011 at 10:15 PM

    Por ocasião da visita de JK houve um encontro também com seu amigo pessoal Nico Vidal. Está documentado por fotografia em poder de sua família. Sem falar também da visita de Tancredo Neves que almoçou na casa do Sr. Nico Vidal, pouco tempo depois. Tem foto. Vale a pena lembrar.

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