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Entrevista da semana

maio 3rd, 2008 · 8 Comentários

O entrevistado de hoje é o presidente do PSol de Varginha, Antônio Ricardo Vieira. O advogado foi um dos fundadores do PT de Varginha, na década de 80. durante 1 ano e 4 meses do primeiro mandato de Mauro Teixeira, foi assessor jurídico da Secretaria Municipal da Administração. Saiu por não concordar com o projeto político da administração. Nessa reportagem, ele fala de sua trajetória política, da atual administração, do projeto político do PSol e da estratégia do partido para as eleições.

“A chegada do prefeito Mauro Teixeira ao PT (em 2000) representou uma discordância do projeto histórico do partido em Varginha. Nosso questionamento era que Teixeira era uma pessoa nova em um projeto que apostávamos, mas como a regra democrátiva venceu (o partido aprovou o ingresso de Mauro ao PT), pensamos, ‘vamos confiar’. Não concordávamos com a indicação do Mauro Brito (como vice-prefeito). Na montagem do governo, houve a cisão do partido. Percebeu-se que o projeto antigo do PT ficou à mercê. Formou-se um núcleo na coordenação do partido que dura até hoje, pelo Pedro César (da Silva, procurador-geral do Município), Renato Clepf (atualmente sem cargo na administração municipal). Carlão (ex-PT, hoje no PDT) também participou. Jamais imaginávamos que a máquina administrativa ficaria na mão do senhor Mauro Brito. O grupo discordante (do PT) resolveu montar uma chapa. Com a eleição do Daniel Marçal, houve uma jogada desleal da Executiva do núcleo de poder, juntamente com a Executiva Estadual do PT, fazendo uma proposta para que vários ex-companheiros que estão no partido hoje renunciassem ao seu cargo no diretório, possibilitando a intervenção do diretório estadual sobre o municipal. Foi tramado no Palácio da Presidente Antônio Carlos, juntamente com Patrus Ananias, Nilmário e Maria do Carmo Lara. Eles renunciaram, criando uma vacância e possibilitando ao diretório estadual ‘intervir’. No fundo, foi uma rasteira, uma jogada desleal.

Nas eleições passadas houve uma possibilidade de continuarmos nossa trajetória política, porque para mim, política é vocação, não profissão. Daniel Marçal e eu fomos candidatos pelo PSTU, pois o PSol ainda não havia sido legalizado. Depois, fundamos o PSol de Varginha, partido do qual sou presidente. E estamos pleiteando para ser candidato a prefeito.

O PSol é um partido sério. Nós temos esse cuidado de apresentar um projeto diferente do que aí está. Esse, acabou. É uma política do controle, da pressão sobre as pessoas, do profissionalismo na política, isso não nos serve e não faz bem para a comunidade. Se questionou tanto que a política de Varginha foi coordenada por grupos, mas tirou-se um grupo e colocou-se hoje, trabalhando arduamente para continuar em todo o espaço público. Não se governa na esfera pública.Para ganhar a eleição, diz-se que ‘vamos governar para o bem público’. Quando ganha, governa-se na ótica da privacidade, o que é dos outros, é meu, é do nosso grupo, e não da cidade. Com mentalidade pessoal. É uma derrota da política, porque virou profissão. O processo coletivo ficou para trás, vira o processo individual.

Eleições – Primeiro vamos rever o arco das alianças, trabalhar um projeto para a cidade. Os políticos passam e a cidade fica. As demandas estão batendo às nossas portas. É preciso combater a violência. Discutir o processo educacional não é só construir escola, mas o processo pedagógico nas escolas, relação das escolas com a comunidade, estão todas abandonadas. É preciso rever a relação com o Judiciário, não pode haver esse afastamento, não querer controlá-lo, mas tratar dentro da urbanidade. Se pesquisar no fórum, o Executivo é o que mais tem processos no Fórum, emperrando a máquina judiciária.

Vamos iniciar um projeto que é a abertura do Judiciário no cinturão dos bairros, com presença da OAB, Defensoria Pública, conselhos tutelares, fazendo o cidadão ter mais acesso ao Judiciário. Isso será feito através de convênios.

Na saúde vamos fazer com que os bairros passem a ter um pronto-socorro descentralizado. Não se admite que o cidadão venha do alto da Pólo Filme, percorra 4 km pra ser atendido no PS no Bom Pastor. É preciso que o lado leste da cidade tenha um pronto-atendimento à altura da população. Se alguém sofre um acidente no jardim Andere, até chegar ao pronto-socorro, morre no caminho, como já aconteceu.

Discutir a relação do emprego deve ser uma discussão sem viés de interesse. Algumas empresas que se instalam em Varginha, as cem primeiras vagas são indicadas pelo chefe do Executivo. Grande parte dos jovens, quando vão procurar emprego, têm que passar pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico. É uma ação questionável. Tem que ser mais transparente. Nosso projeto é que esse processo seja mais aberto à comunidade, para que toda a população tenha direito a tentar uma vaga no mercado de trabalho, sem interferência ou direcionamento político.
Som
os contra a reeleição do PT, achamos que esse grupo já esgotou o processo, é preciso abrir espaço para outras pessoas. E o PSol é o grupo ideal para governar Varginha, com respeito ao cidadão.

Servidores públicos: O governante é eleito para dar tranqüilidade ao cidadão que paga seus impostos. Não é eleito para tumultuar, mas garantir o acesso do cidadão aos serviços públicos com qualidade. É preciso despojar de sua vaidade pessoal para governar para, sabendo que um dia será substituído por outro grupo. O papel fundamental é equilíbrio. Principalmente entre o setor público e o privado. Percebe-se uma dicotomia entre os cargos de confiança e servidores concursados. Criou-se uma cisão violenta e quem saiu prejudicado foi a máquina administrativa e a população. É preciso harmonia para isso, despojar vaidades. Tanto de quem está na prefeitura, como quem está chegando. O Executivo não é meu, nem de ninguém, é público. Vamos trabalhar para chegar aí.

Tags: Política

8 Respostas Até Agora ↓

  • 1 Grazyelly // maio 10, 2008 at 10:20 PM

    Até quando o legislativo municipal vai permitir que a administração ignore a constituição no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores,ignorando inclusive o estatuto dos servidores(AUDIÊNCIA PUBLICA DA EDUCAÇÃO)????

  • 2 PATRICIA // maio 10, 2008 at 6:40 PM

    ANTONIO RICARDO, QUEM VAI FINANCIAR SUA CAMPANHA? DIMAS FABIANO OU DILSOM MELO

  • 3 PAULO // maio 6, 2008 at 12:03 AM

    SR. ANTONIO RICARDO.

    Bom da praça Marcos Frota , digo pracinha do centenário tem exatemente 7.5 KM…e não 4 km..ok ..é longe pra caramba …

  • 4 Cont(ato) // maio 5, 2008 at 11:34 PM

    Nossa Patrícia!!!!! Mas é louvável, imagine se ele tivesse o mesmo gosto que o Fe(io)nônimo?

  • 5 ROMULO // maio 5, 2008 at 10:15 PM

    Parabens Doutor Antonio Ricardo, o senhor disse tudo: “politica nao e profissao”. E necessario renovar. E democratica a alternancia dos governantes, em todas as esferas do poder.

  • 6 PATRICIA // maio 5, 2008 at 7:12 PM

    FIQUEI SABENDO QUE O RENATO PAIVA ESTEVE NA CAMARA DOS VEREADORES E DISSE QUE NAO É CANDIDATO A NADA.
    E BOM MESMO NÃO SER

  • 7 Observador // maio 4, 2008 at 12:19 PM

    Gostei da entrevista, entretanto acho que o candidato dedicou mais tempo a atacar a atual administração do que apontar soluções. Porém, concordo com todas as críticas que o candidato fez ao grupo que está aí

  • 8 Chico // maio 3, 2008 at 5:04 PM

    Será que o Psol ou o PSTU não tem outros nomes para lançar. Parece que esse negócio de ter só um nome é estranho . O PT ganhou com Mauro Teixeira justamente porque abriu espaço para novas idéias.Varginha foi um laboratório para o Brasil.
    Agora esse PSol não mostra outros nomes, será que é partido de uma pessoa só. Me parece que o mais apropriado era do próprio Daniel Marçal que fez uma campanha modesta ,porém ética.
    Daniel era o nome que podia ser lançado, esse negócio de querer impor candidato e não valorizar nomes já foi provado que não vinga,lembram aquele candidato que quando tinha tudo para ganhar mudou de sigla.
    Se o Psol continuar agindo como aquele PT antiguissimo , não vai passar de 1.000 votos.

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