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Coisas da Natureza

10 de junho de 2012 · Folha de Varginha, Opinião ·

   J. Campos Ribeiro*

Ao andar despreocupado pelos arredores de determinado sítio, deixei-me admirar as paisagens naquela agradável manhã de sol. Achando-me sozinho na oportunidade  procurava voltar a atenção a detalhes do percurso, fosse uma pequena flor silvestre, um inseto em zig-zag no espaço, a relva ainda umedecida pelo sereno…
Observei também o ingazeiro carregado de longos frutos maduros, dourados, a inclinar os galhos  bem próximo à beira d’água como quisesse tocar a superfície com os “longos dedos” de modo a sentir-lhe o frescor.


Ante tão belo quadro paisagístico, passou-me pela cabeça viver momento de narcisismo; também curvei-me à beira do lago de sorte a ver como em espelho minha fisionomia, uma vez emoldurada pelas nuvens daquele céu límpido, cenário ali retratado. Nesse momento, diminutos cardumes afugentaram-se daquela parte rasa. E reconheço que eles tinham razão pois, como um narcisista inverso, também não gostei nada da minha “carranca” refletida, mesmo porque coincidiu de uma folha seca, trazida pelo vento, cair bem perto e provocar ligeiras ondulações em círculos, o que fez transformar para pior o meu semblante.
Ao afastar-me notei que os peixinhos iam retornando em grupos alegres, embora desconfiados.
Continuando o passeio, estanquei ao perceber, no estreito caminho, um pássaro pousado no chão – creio que era sabiá – a observar, indeciso, pequena lagartixa, atento aos menores movimentos da coitada, pronto para atacá-la num repente com aquele aguçado bico. Mas via-se que o pássaro mostrava-se titubeante, inseguro, talvez admitindo que a presa poderia valer-se de certo recurso,  pondo em prática algum  “plano B” guardado para essas horas.
Havia, pois, no ar algo de suspense entre eles.   É que o sabiá nos parece  especialista em capturar presas mais frágeis: minhocas, mosquitos, insetos em geral.
Já bem incomodada ante o sol na fina pele e a constante ameaça do bico do inimigo, chegou o instante em que a lagartixa, para surpresa de nós dois, isto é, minha e do pássaro, de repente tomou a iniciativa em fazer  menção de partir paro o ataque dando  ligeiro e estratégico  movimento à frente, o que fê-lo  bater asas  evadindo-se precipitado,  em pânico. Foi aí, então, que ela também saiu de cena camuflando-se por entre as folhagens.
Eis a lição que fica para nós  humanos: Há momentos na vida em que, acuados, temos que tomar alguma decisão ante desafios,  mesmo que venhamos a titubear por instantes para, em seguida, partirmos para imediata solução de problemas   que a vida  nos colocar  pela frente.

*Membro da Academia Varginhense de Letras

→ 4 Comentários

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4 Comentários até o momento ↓

  • marley

    Que maravilha,pensamentos para lá de intelectuais.PaRABÉNS.

  • Paulo Santos

    CARO AMIGO CAMPOS. QUE BOM PODER VOLTAR A LER TUAS CRÕNICAS. SEU AMIGO PAULO

  • CorruPTos

    Captei a mensagem nobre, sábio e eloqüente guru!!!
    Nesse ano de eleições, nós lagartixas atemorizadas, estressadas, cansadas, magrelas, inofensivas frente ao ataque faminto desse, nada sábio sabiá voraz, que definitivamente não sabe assobiar, vamos dar um bote surpreendentemente inesperado, mas impetuoso e com a graça maravilhosa do Sol da Justiça escaparemos desse predador que busca nos corruptar entre seus filhotes.
    Happy end.

  • CARLOS CORNWALL

    Parabéns J.Campos Ribeiro, o blog estava carecendo de crônicas e espaços de reflexão,sua fala ao interagir com a natureza demonstrou a leveza e o jeito tranquilo de eternizar o momento.
    S E N S A C I O N A L.

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