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Plano Diretor: mobilidade urbana, acessibilidade e meio ambiente são principais problemas de Varginha

julho 13th, 2017 · Sem comentários

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Essa é uma das constatações que a empresa contratada pela prefeitura para revisar o Plano Diretor descobriu. Marina Guimarães Paes de Barros, sócia-gerente da MYR Projetos Sustentáveis, apontou vários pontos altos e baixos da cidade, durante apresentação, no Theatro Municipal Capitólio. Apesar da importância do assunto, apenas 60 pessoas assistiram.

cacamba na calcadaA deficiência na mobilidade urbana apenas constata o que todos nós sabemos. Calçadas estreitas (e que são um pedido até chato de tão constante dos moradores –e NUNCA atendido), ruas também estreitas, estrangulando vias e tráfego. Falta de espaços para carga e descarga ocasionando para de caminhões nas vias obstruindo o trânsito. Falta de sinalização nos bairros. O levantamento da MYR também concluiu que o estacionamento rotativo precisa de uma reestruturação.

Na rabeira do problema da mobilidade, vem a acessibilidade. O secretário municipal de Planejamento, professor José Manoel Magalhães previne: “Precisamos pensar Varginha como uma cidade permitida a todos, sejam idosos, crianças, pessoas com necessidades especiais. A cidade, de acordo com o diagnóstico, já sente o envelhecimento.” (a população acima de 65 anos passou de 4,5% para 7,2% de 1991 a 2010).

parque são francisco1Outro problema que aparece com frequência na revisão do Plano Diretor (desde as conferências nos bairros, quando a população foi ouvida) é o meio ambiente. O Parque São Francisco precisa de um trabalho urgente de preservação (o BlogdoMadeira já registrou isso, em extensa reportagem publicada em 28 de junho do ano passado). O local sofre com depósito clandestino de lixo, contaminação das espécies com o depósito de árvores cortadas pela própria prefeitura em outras áreas da cidade e a falta de utilização do espaço, abandonado há décadas, o que permite invasões dos moradores.

Para se ter ideia da situação ambiental de Varginha, a cidade possui apenas 9% de mata atlântica, bioma natural do município.

Falta arborização urbana. “Tanto para manter as existentes como para ampliar. Aí esbarramos em outros dois problemas. Primeiro, a Cemig possui normas para controlar o plantio de árvores, que podem danificar a rede elétrica. Segundo: e como plantar árvores –mesmo aquelas que não cresçam a ponto de comprometer o funcionamento da rede de energia- com calçadas estreitas?”, questiona José Manoel.

A arborização deficiente puxa outro problema: a impermeabilidade do solo. Quanto menos árvores, menos grama, maior a impermeabilidade. A cidade já sente na pele os efeitos, em locais como a Humberto Pizzo e Plínio Salgado (aliado à uma rede pluvial que não acompanhou o crescimento da cidade).

Outro problema que Varginha precisa enfrentar: atualizar os códigos municipais. Leis de uso e ocupação do solo, zoneamento, posturas, estão totalmente defasadas, como explica o secretário de Planejamento. O próximo passo da revisão do Plano Diretor é atualizar as leis urbanas para, pelo menos, os próximos dez anos.

O diagnóstico do Plano Diretor ainda está sendo formatado. A população pode colaborar, apresentando sugestões e críticas pelo planodiretor@varginha.mg.gov.br. Ou pelo 3690-4004.

Diretrizes:

lixao varginhaResíduos sólidos: Varginha acaba de implantar coleta seletiva. Mas o que incomoda o varginhense é que a coleta seletiva nunca foi uma ação permanente. É uma promessa desde 23 de março de 2004, quanto prefeito Mauro Teixeira sancionou lei que autorizava doar os resíduos do lixo reciclado para a CooperET, cooperativa de reciclagem de lixo da cidade. De lá para cá, a coleta foi adotada várias vezes, mas nunca durava mais do que quatro meses.

Apesar de problemas como falta de vagas em algumas creches, a educação pública de Varginha vai bem, obrigado.

Upa_blog_do_madeiraA saúde também é modelo. A ponto de Varginha atender moradores de várias cidades da região. Mas peca por problemas como falta de alguns medicamentos, poucos profissionais especializados e congestionamento na UPA. Na Policlínica Central, falta um sistema mais eficiente para marcação de consultas. A própria superlotação na UPA poderia ser evitada, caso a população se conscientizasse de que ali não é o local adequado para pedir socorro na maioria dos casos. O levantamento feito pela MYR aponta: 70% dos atendimentos da UPA não são demanda específica desse nível de atenção da saúde.
Outros problemas levantados pela empresa: falta de alguns profissionais especializados e déficit de leitos do SUS devido à alta demanda.

cruzeiro do sulO déficit habitacional levantado pela MYR é de 3.167 casas, mas sabe-se que, na realidade, é mais do que o dobro, conforme admitem os próprios técnicos da prefeitura. Os dados obtidos pela empresa são da Fundação João Pinheiro, relativos a 2000 a 2010, portanto desatualizados.

Outro problema relativo à habitação: concentração de muitos bairros do Minha Casa, Minha Vida, em uma região. Bairros como Carvalhos, Cruzeiro do Sul, Novo Tempo abarrotam uma mesma área, aumentando a demanda por serviços públicos de saúde, educação etc., que ainda estão sendo implantados.

Na ação social, falta um fluxograma e trabalho em rede entre os níveis de complexidade. Criar um sistema de trabalho integrando todas as secretarias municipais, para levar atendimento multissetorial para cada região da cidade.

copasaDSC_0409010214Sobre o abastecimento de água, Marina alerta que não existe a atuação da Copasa na zona rural. Também atenta para a baixa capacidade dos mananciais durante o período de estiagem. Um exemplo é a estratégia adotada pela Copasa na última forte estiagem, quando foi instalada uma balsa (foto) para buscar água no fundo do Rio Verde, evitando falta d’água.

Esgotamento sanitário: o diagnóstico sobre o Plano diretor aponta para ligações clandestinas, redes subdimensionadas e estações de tratamento de esgoto que precisam ser ampliadas e reformadas. Se há tratamento do esgoto coletado na zona urbana, na zona rural o esgoto é despejado nos cursos d’água.

chuvas varginha alagamento (3)Outro problema que o varginhense conhece bem: o entupimento da rede pluvial no período chuvoso exige um trabalho planejado e sistemático, para evitar o agravamento do problema no futuro.

No campo econômico, pontua-se que Varginha é uma das 5 maiores economias da região Sul de Minas, com destaque para os setores de serviços e comércio. A cidade tem que aproveitar algumas oportunidades, de acordo com o estudo: potencializar o desenvolvimento do aeroporto, para se tornar um aeroporto industrial; incentivar políticas de formação de um polo regional; potencializar as oportunidades do turismo de negócio do café e do polo regional; criar pacote de incentivos para atrair novos negócios.

nave do et foto gustavo thibeCaso consiga cumprir essa agenda, talvez evite as seguintes ameaças: possível perda de competitividade por falta de investimentos; crescimento econômico de Pouso Alegre (hoje é o 18º PIB mineiro, como a indústria representando 24,6% da arrecadação); possibilidade de Pouso Alegre criar aeroporto industrial; estagnação do desenvolvimento e investimentos; e o crescimento urbano desarticulado.

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Tags: Destaque · Economia

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